"Lesura: Escuridão e Silêncio" e "Mandei a Morte Se Foder", Dois Minicontos de Maurício Menossi Flores.
Lesura: Escuro e Silêncio.
Era meia-noite. Chovia. Em frente
ao bar, o movimento de fechar. Espreitava atrás de uma banca de jornais
abandonada.
Cada um foi para um lado. Ele
seguiu o mais gordo e folgado. Já o conhecia há anos. Não deu nem cinquenta
passos e... zapt! Recebeu a pancada na cabeça.
Rapidamente, o vagabundo teve o
peito aberto ali mesmo. O coração foi arrancado e colocado em caixa de isopor
com gelo. Seria transplantado para alguém mais merecedor.
Akbar Hansen,
psicografado por Maurício Menossi Flores.
Mandei a Morte Se Foder.
Cheguei em frente à minha casa e
havia ali multidão aglomerada. Eram umas trinta pessoas em torno de corpo
caído, nu, negro, esquálido.
Dois homens, um barbudo, baixo,
gordo e carrancudo, e outro mais jovem e aparentemente simpático, apanharam
aquele ser e puseram em um caixão. Mas apesar de dizerem estar ele morto,
mexia-se.
Eu só observava até então. Quando
tentaram entrar em minha casa, subindo as escadas com aquilo, interpus-me. Não
era mais um caixão e sim um ser branquelo, careca, pequeno, sentado em plataforma,
com dois buracos negros nas órbitas dos olhos. Encarava-me com ar de piedade e
interrogação.
Barrei aquele cortejo bizarro aos
berros embargados. Não entrariam em minha casa de maneira alguma.
O carregador mais moço, quis
argumentar, tentando demonstrar comiseração. Insisti que não. Ele começou a se
irritar e eu fiquei irredutível. O moço, agora raivoso, começou a se afastar. Virando
a cabeça para mim, com olhos muito vermelhos disse que eu seria o próximo,
repetindo isso várias vezes. Mandei ele se foder.
Akbar Hansen, psicografia de
Maurício Menossi Flores.

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