Monólogo Teatral Inspirado no Livro "A Evolução da Física", de Albert Einstein e Leopold Infeld. Em Processo.



A Evolução da Física: Deus Não Joga Dados Com O Universo.

Monólogo Teatral.

Personagem:

Albert Einstein (1879-1955), em seu escritório, já idoso, de suéter cinzento, gola da camisa para dentro, cabelo desgrenhado, fumando um cachimbo, escreve estando em uma escrivaninha, sobre a qual está uma caixa preta misteriosa.

(Einstein entra e senta-se a uma escrivaninha e voz gravada soa como se fossem os seus pensamentos sendo escritos. Essa voz gravado pelo ator que interpreta Einstein deve ser de memória, não podendo ser lida). 

Einstein (escrevendo): Prezado Leopold, sua última carta me comoveu. Sim, continuemos. A luz dessa ideia que partilhamos precisa acender outras consciências. Talvez, se falarmos como investigadores — não como sacerdotes da Matemática — consigamos mostrar ao público de estudantes e, principalmente, aos autodidatas, os quais sempre apreciei, por que a Física mudou nossas almas.

Esperar. Esperar. Esperar. Espero dias mais sombrios ainda, como esperei o trem que me levava à minha querida Mileva. Ansioso, olhava o relógio a cada cinco minutos. Na ida, o tempo arrastava-se como um velho bêbado pelas pedras. No regresso, quando ainda sentia seu perfume na gola do paletó, o tempo parecia um coelho assustado, correndo pelos campos da minha mente. E a espera pelo resultado do Prêmio Nobel? Como foi torturante! E tudo por ignorância e por preconceito!  Philipp Lenard, por exemplo, prêmio Nobel de 1905, não chamava a Teoria da Relatividade de ciência judaica? Finalmente, em 1921 recebi o sonhado prêmio, mas não pelo meu maior feito e sim pelo efeito fotoelétrico, mesmo com experimento de Eddington, em 1919, que confirmou a curvatura da luz pela gravidade... Mas o Prêmio Nobel era só mais que uma variável estocástica de um mundo que insiste em nos negar a razão pela política.

Isso foi em 1921 e estamos em 1938. As ideias de um homem com sessenta anos de idade não são as mesmas de um de trinta, quarenta ou cinquenta anos. Nossas lembranças passam a ter o colorido ou o embotamento do momento.

Escrever este livro é maneira de distrair a mente e o cérebro, esse nosso laboratório complexo do qual saem maravilhas através de uma simples caneta.

Vamos estruturar nosso livro como uma investigação, conforme já disse.

A ciência pode se comparada a um romance policial.

E a primeira pista estava justamente no movimento e na mudança de velocidade provocada por uma força. Galileu, vencendo a autoridade de Aristóteles por séculos, mostrou que ele estava errado. A intuição fora vencida pelo raciocínio científico.  Uma geração mais tarde  Newton formularia a "lei da inércia": "todo corpo permanece em eu estado de repouso, ou de movimento uniforme em linha reta, se não for obrigado a mudar de estado por forças nele aplicadas". Algo só possível de constatar através de uma experiência idealizada. Sim, experiências idealizadas, aquelas só possíveis através do pensamento: afinal, “a imaginação é mais importante que o conhecimento.”

Dessa maneira, uma força mudaria a velocidade de um corpo, acelerando-o ou desacelerando-o. Contudo, não poderíamos nos contentar somente com o movimento retilíneo. A Lua, a Terra, os planetas do nosso sistema solar, por exemplo, têm movimento circular. Nesse caso, a ação de uma força externa modifica não só a velocidade do corpo, mas a sua direção também. Daí a generalização introduzida na Física pelo conceito de vetores. A velocidade passa a ter módulo, direção e sentido, trazendo vantagens tremendas na linguagem própria da ciência. 

Mas uma pista importante que ninguém notou durante trezentos anos surge: a "massa". A aceleração de um corpo em queda aumenta proporcionalmente à sua massa gravitacional e diminui proporcionalmente à sua massa inercial. Como todos os corpos em queda têm a mesma aceleração constante, as duas massas devem ser iguais.  

E o calor, as substâncias...

Oerstead o eletromagnetismo...

Campo e Maxwell...

A volta a inércia...

A velocidade da luz...


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E que mistério maior que a própria luz?

(Einstein desenha no papel a imagem do barco com os remadores e a referência do movimento.)

Einstein: Veja, Leopold, começamos pelo velho Newton, um dos gigantes do templo da ciência nos ombros dos quais subi. A física clássica — um grande sistema de engrenagens, com corpos dançando sob forças visíveis. A matéria reina absoluta. O tempo? Ah, o tempo era um relógio universal, tiquetaqueando igual para todos os cantos do cosmos.

Observe o desenho... Claro, o nosso querido artista Robert M. Damnitz os fará esquemáticos, claros e didáticos! Mas nesse meu esboço, o remeiro vê o barco como imóvel, mas para o observador na margem ele se move. Referenciais. A física nasce daí: da perspectiva.

(Desenha as linhas de campo elétrico.)

Einstein: Aí vieram Faraday e Maxwell. O campo elétrico — essa coisa invisível que nos rodeia. O éter... ah, o pobre éter! Como sofremos por ele.

Einstein: Aqui está! O campo não é uma invenção. É realidade observável! Mas ainda restavam dúvidas: como pode a luz viajar no vácuo, sem suporte algum? Michelson e Morley não encontraram o éter. Nós também não. Ele... morreu.

(Desenha o trem e o relâmpago.)

Einstein: Agora, Leopold, veja isso! Um relâmpago visto por quem está parado é simultâneo. Para quem está no trem, não é. Tempo... relativo. Espaço... relativo.

A luz viaja sempre na mesma velocidade. Sim, mesmo se você correr atrás dela! Tudo muda, menos ela. O tempo encurva-se, os corpos dilatam, e a velha mecânica newtoniana se rende à nova geometria do universo.

(Desenha o salto quântico do elétron.)

Einstein: Mas... e as partículas? E os quanta de energia de Planck? E a dualidade de De Broglie? Luz como partícula... como onda...

Os quantas, os pacotes são como as cordas de um violino...

(Apanha o violino e tira algumas notas. Volta a escrever.)

Nunca aceitei completamente a incerteza. Mas a verdade, talvez, esteja em outro ponto. Escrever esse livro com você, Leopold, me obriga a aceitar que a física moderna se equilibra entre o determinismo clássico e a incerteza quântica.

A cada página que escrevemos, sinto que estamos dando corda ao relógio do mundo, do qual podemos deduzir o mecanismo, mas nunca o comprovar, sem poder abri-lo para olhar as engrenagens.

Contudo, o que era a ansiedade com o Nobel e a de ver a mulher amada comparada com a que sentimos na eminência de uma guerra de proporções nunca vistas?

A anexação da Áustria (Anschluss) pela Alemanha e a Crise dos Sudetos (Tchecoslováquia) mostra que Hitler está se expandindo territorialmente sem ser contido.

Otto Hahn e Lise Meitner descobriram a fissão do urânio — processo que liberta enorme quantidade de energia. Essa descoberta científica preocupa-me profundamente, pois sei que poderá levar à criação de armas de destruição em massa.

O nazismo já está consolidado, e eventos como a Noite dos Cristais (Kristallnacht), marcam um novo nível de brutalidade contra os judeus. Como sabe, caro Infeld, aqui nos EUA, tenho ajudado outros cientistas e intelectuais judeus a emigrarem, usando a minha influência e rede de contatos.

Apesar de saber que Deus não joga dados com o universo, sei da inconsistência dos homens, pois eu os testei...

Aguardarei ansiosamente a sua resposta.

Albert Einstein

O som gravado cessa. Coloca a carta no envelope, fechando-o. Levanta-se e posiciona-se em pé na frente de uma caixa, que está na mesa. Abre a caixa como se fosse colocar a carta dentro dela. Aparece mecanismo misterioso, Uma bobina com pedaço de arame dentro dela, como se fosse uma agulha. Quando a caixa é aberta, a bobina é acionada, fazendo a agulha mover-se. A agulha aciona uma alavanca que aciona o controle remoto de um DVD player, em uma "reação em cadeia". Na tela da TV aparece uma bomba atômica explodindo. A tela fica escura.

Einstein volta-se para o público e diz:

"Deus não joga dados com o universo, mas o Homem sim."

Apanha o cachimbo e dá várias baforadas. Sai tocando violino.

Cumprimento.

FIM


Em que circunstâncias Einstein disse a frase Deus não joga dados?

O ChatGPT disse:

A frase atribuída a Einstein — “Deus não joga dados com o universo” — foi dita em um contexto muito específico: sua oposição à interpretação probabilística da mecânica quântica.

Contexto histórico e científico

  • Década de 1920–30: A mecânica quântica, formulada por Heisenberg, Bohr, Schrödinger e outros, trazia a ideia de que, no nível subatômico, os fenômenos não são determinísticos, mas regidos por probabilidades (por exemplo, o princípio da incerteza de Heisenberg).

  • Einstein, que havia sido um dos fundadores da física quântica (com o efeito fotoelétrico, 1905), não aceitava que a natureza fosse essencialmente indeterminada. Para ele, a física deveria descrever uma realidade objetiva e não apenas probabilidades de observação.

  • Foi nesse embate com Niels Bohr e outros defensores da chamada “interpretação de Copenhague” que Einstein usou a frase.

Primeira ocorrência documentada

  • Einstein escreveu a frase em 1926, numa carta a Max Born, outro grande físico quântico e seu amigo de longa data:

    “A mecânica quântica é certamente imponente. Mas uma voz interior me diz que não é ainda a coisa verdadeira. A teoria diz muito, mas não nos aproxima realmente do segredo do Velho. Eu, em todo caso, estou convencido de que Ele não joga dados.”

Sentido da frase

  • O “Deus” de Einstein não era um Deus pessoal, mas uma metáfora para a ordem, racionalidade e leis do cosmos.

  • Ao dizer que “Deus não joga dados”, Einstein queria afirmar que o universo não poderia ser governado apenas pelo acaso ou por probabilidades fundamentais.

  • Ele acreditava que as aparentes incertezas da mecânica quântica se deviam a uma teoria incompleta, e que no futuro surgiria uma descrição determinista mais profunda.

👉 Em resumo: Einstein disse a frase em cartas (especialmente a Max Born, em 1926 e 1944) e em discussões públicas com Bohr e outros físicos, sempre no contexto de criticar a visão probabilística da mecânica quântica.

Quer que eu te mostre os trechos originais das cartas em que ele escreveu isso, com a tradução ao português lado a lado?

Você disse:

Quero que me diga se a Física Quântica está relacionada à bomba atômica?

O ChatGPT disse:

Sim, a física quântica está relacionada ao desenvolvimento da bomba atômica — mas de forma indireta e por meio de vários desdobramentos científicos. Vou explicar em camadas:


1. O que é a física quântica

A mecânica quântica é a teoria que descreve o comportamento das partículas subatômicas (elétrons, prótons, nêutrons, fótons). Ela surgiu no início do século XX com Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger etc.

Essa teoria forneceu as bases para entender:

  • Estrutura dos átomos.

  • Interações nucleares.

  • Estatística de partículas.


2. O que é a física nuclear

A bomba atômica não nasce diretamente da mecânica quântica, mas sim da física nuclear, que é um ramo dela.

  • Em 1938, Otto Hahn e Fritz Strassmann descobriram a fissão nuclear: o núcleo do urânio pode se partir em dois, liberando enorme energia.

  • Logo em seguida, Lise Meitner e Otto Frisch explicaram o fenômeno usando princípios da mecânica quântica e da relatividade (equação 
    E=mc2E = mc^2


3. Relação prática com a bomba

  • A mecânica quântica foi essencial para calcular a estabilidade dos núcleos, a probabilidade de fissão, o comportamento dos nêutrons e o chamado efeito multiplicador em cadeia.

  • Sem essas previsões teóricas, não seria possível projetar uma reação em cadeia controlada (reatores) ou descontrolada (bomba).

  • O Projeto Manhattan (1942–1945) usou esses conhecimentos para criar as bombas de urânio-235 (Little Boy) e plutônio-239 (Fat Man).


4. Einstein e a bomba

  • Curiosamente, Einstein não trabalhou na bomba atômica e rejeitava esse uso da ciência.

  • Mas sua famosa equação 
    E=mc2E = mc^2

  • Em 1939, Einstein coassinou a famosa Carta a Roosevelt, escrita por Leó Szilárd, alertando sobre a possibilidade de Hitler desenvolver armas nucleares. Essa carta ajudou a iniciar o Projeto Manhattan.


Conclusão:
A bomba atômica não nasce apenas da física quântica, mas a mecânica quântica foi indispensável para compreender e prever os fenômenos nucleares que possibilitaram a construção da bomba. É um caso emblemático de como um avanço científico abstrato acabou tendo consequências práticas devastadoras.


Quer que eu faça uma linha do tempo resumida, mostrando passo a passo como a mecânica quântica levou até a bomba atômica?

Você disse:

Quero que relacione a frase Deus não joga dados com o Universo com a bomba atômica. Quero isso em função de peça teatral que estou escrevendo. Ficará claro que é ficção, dentro de um conceito artístico.

O ChatGPT disse:

Entendi. Você quer uma ponte conceitual e poética entre a frase de Einstein — “Deus não joga dados com o universo” — e a bomba atômica, para usar dentro de uma peça teatral, deixando claro que é ficção artística e não um documento histórico.

Aqui está uma proposta de relação dramática que pode servir como base:


1. O paradoxo

Einstein rejeitava o acaso absoluto na natureza. A frase “Deus não joga dados” expressa sua convicção de que o universo obedece a leis racionais, não ao caos.
Já a bomba atômica pode ser apresentada na peça como a roleta trágica da humanidade: um jogo de dados perverso criado pelo próprio homem, capaz de decidir em um instante entre vida e destruição total.


2. A ironia histórica

Na ficção teatral, pode-se explorar o contraste:

  • Einstein buscava uma ordem superior no cosmos.

  • Mas os homens, usando os mesmos fundamentos da física que ele ajudou a construir, criaram a arma mais caótica e irracional de todas.

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