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O Suave Milagre Chinês. Conto de Maurício Menossi Flores.

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  O Suave Milagre Chinês. (Em processo, sem revisão.) “Esqueça o passado”, eu disse diante do espelho. Não era a primeira vez que eu me ordenava isso. Ajeitei o terço no pescoço e saí. Ia ao encontro da minha amada, no meu bar favorito, aquele mesmo, escondido como uma confidência no fim de um beco estreito, onde uma luz amarela insistia em não morrer. Aquela lâmpada parecia que iria durar mais do que eu próprio. Quantas vezes atravessaria o beco, de madrugada, bêbado, feliz, abraçado a ela, cantando fraquinho na sua orelha direita uma canção inventada. Ela se encolhia um pouco, inclinando o corpo, talvez incomodada com o meu bafo de champanha — ou talvez apenas para caber melhor dentro daquele instante. Em Paris, descolei aquele cantinho do céu. Não foi difícil — bastou subir alguns lances de escada num prédio antigo, sem elevador, onde o silêncio era acordo coletivo. Os poucos moradores eram discretos como sombras. Não havia portas batendo, discussões, música. Ali n...

O Corvo, De Edgar Allan Poe, E A Solidão: Conversas Com Entes Imaginários.

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  O Corvo, De Edgar Allan Poe, E A Solidão: Conversas Com Entes Imaginários.  Percebemos no poema O Corvo de Poe que o personagem faz do corvo um interlocutor em momento de grande solidão. Que outros personagens da literatura ou das artes em geral criaram personagens em momento de solidão para conversarem com esses personagens?   Essa percepção que você teve sobre O Corvo é muito rica — a criação de um “interlocutor” na solidão é um recurso recorrente nas artes, muitas vezes ligado à dor, ao luto, à loucura ou simplesmente à necessidade humana de diálogo. Aqui vão alguns exemplos fortes, em diferentes linguagens: Literatura 1. Dom Quixote No romance Dom Quixote, ele projeta sua visão do mundo sobre a realidade: moinhos viram gigantes, estalagens viram castelos. Embora Sancho Pança exista, Quixote cria interlocutores imaginários ao reinterpretar tudo ao seu redor — uma espécie de diálogo com a própria fantasia. 2. Robinson Crusoe Em Robinson Crusoe, antes d...

Tribo

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  Tribo (Conto-poema em processo, sem revisão.) Era uma tribo de índios, à beira da estrada. Foi ele mesmo quem disse tudo bem chamá-lo de índio. Passei a fazê-lo por descontração. Artesanato não precisa de robô aqui, neste espaço, propriamente dito. Uns param, outros passam direto. Alguns querem aprender as técnicas apenas por hobby . Turistas classe média querendo mostrar sensibilidade, valorizando o artesanato, a arte, a indústria. Os enormes tijolos utilizados nas construções eram fabricados na própria reserva subsidiada pelo governo.     A dívida social sendo paga com benefícios. De maneira legível. Anhembi mostrou o arco e flecha. Todo torto e envernizado. Coisa de gente tosta, algo caseiro e mal feito. Fizemos que não vimos e ele logo escondeu o objeto, meio sem jeito de encarar-nos novamente. Alcoolismo era comum. Solidão. Pouca conversa e crianças brincando com os cães. Automóveis servindo de loja. Lona. Toldo. Barraca. Fabricar barr...

O Grande Trauma Da Perda Da Inocência Infantil.

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  O Grande Trauma Da Perda Da Inocência Infantil. (Conto-poema, em processo, sem revisão.)   Uma alma, quando nasce, vive pouco na inocência infantil, por morrer tragicamente, devido ao descuido pelo desconhecimento congênito. Vou explicar, sem enrolar. A pedido do Rodrigo Dias. Veio em minha mente a imagem de criança passando por morte violenta. A ingenuidade a fez entrar pelo cano, literalmente. O desespero com a água inundando o duto de esgoto, no qual foi buscar bola ou cachorrinho (não sei) fez dele rato na ratoeira. Estava de camiseta vermelha e short branco. Calçava tênis preto e estava sem o inseparável boné de mané. Círculos e mais círculos concêntricos vieram envolvê-lo, a fim de conduzi-lo, pela Lei da Evolução, ao ideal estágio de desenvolvimento da percepção. A missão, sempre a missão... Equilíbrio na equivalência. O problema dos armários numerados de um a cem por pessoas portando números de um a cem, abrindo e fechando os armários, mante...

Silêncio Dos Passos. Conto-Poema: Em Processo, Sem Revisão. Nina Ferraz, Psicografia De Maurício Menossi Flores.

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  Silêncio Dos Passos. (Conto-poema: em processo, sem revisão.)   O caminhar sem fazer barulho é o apoiar-se primeiro no meio, onde fica a curva do pé. Depois, a força espalha-se pelos calcanhares e pelos peitos dos pés. Os artelhos não podem estar contraídos. Os joelhos não podem estar duros e o equilíbrio deve ser mantido. Estou experimentando. Tentando aprender com a prática no escuro, à noite. Ela está dormindo. Os espíritos imperfeitos neutros são os meus companheiros. Convenci-os, espero, de eu poder ser aliado nas causas deles, quando eu deixar o corpo de carne e osso. Todo corpo é físico. O espírito são as ideias abstratas. Equivaler-me ao infinito e ao eterno é o meu objetivo. Mas, feito um anorexo, caio no pessimismo. Vi autor de livro defendendo o cancelamento, dizendo ser corretivo. Dá até receita para descancelar-se. Agravo ao meu pensamento. Contudo, se não vejo neles equivalência de forma, devo propor-me aceitar-me como dive...

Monólogo Teatral "Eu Pintei O Brasil", De Maurício Menossi Flores, É Sobre O Pintor Almeida Júnior.

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  MONÓLOGO – “EU PINTEI O BRASIL” (EM PROCESSO) Almeida Júnior em cena (Entra lentamente. Observa as próprias mãos. Respira fundo.) Eu nasci em Itu. Interior de São Paulo. Terra de silêncio comprido, de sol batendo forte no barro, de gente simples… como eu. Meu nome é José Ferraz de Almeida Júnior , mas o mundo me chama apenas de Almeida Júnior . Talvez porque o Brasil ainda estivesse crescendo e eu também. (Pausa. Olha para o público.) Quando menino, fui coroinha. Aprendi cedo a olhar para o alto… mas foi no chão que encontrei minha pintura. No rosto queimado do caipira. Na mão calejada que segura a enxada. No gesto quieto de quem vive e não faz alarde. Foi ali que descobri: a grandeza mora no simples. (Aproxima-se do centro do palco.) Tive sorte — eu sei. O imperador Dom Pedro II viu meus quadros. Viu algo em mim que nem eu mesmo sabia nomear. E me enviou para Paris. Paris! Ah… a Cidade Luz. (Ligeiro sorriso, depois fica sério.) Lá estudei com os mestr...

A Pandemia de Lector Vorax Vírux. Conto De Maurício Menossi Flores.

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  Quero um conto longo, bem estruturado e complexo, cujo tema é a pandemia de um vírus, o Lector Vorax Vírux, acatando o cérebro humano e provocando o hábito da leitura constante e contínua, com método e reflexão, em todo tempo possível e criando nos infectados e necessidade irresistível de debater os livros lidos, com respeito ao debatedor e sempre procurando o aprendizado com os demais. Grupos de leitura e debate de livros são organizados presencialmente. Esses grupos leem de tudo: marxistas leem os liberais e os liberais leem autores marxistas, por exemplo. Com o tempo, os leitores começam a ter a inteligência e a sensibilidade aumentadas, passando a organizar o espaço geográfico, a partir das próprias ruas e dos próprios bairros, de maneira que só a virtude e o bem prevaleçam, combatendo barulho, sujeira e aglomerados de usuários de entorpecentes. Os criminosos começam a debandar dos lugares, vendo que a população começa a usar de estratégias e estratagemas inteligentes, sabota...