O Suave Milagre Chinês. Conto de Maurício Menossi Flores.
O Suave Milagre Chinês. (Em processo, sem revisão.) “Esqueça o passado”, eu disse diante do espelho. Não era a primeira vez que eu me ordenava isso. Ajeitei o terço no pescoço e saí. Ia ao encontro da minha amada, no meu bar favorito, aquele mesmo, escondido como uma confidência no fim de um beco estreito, onde uma luz amarela insistia em não morrer. Aquela lâmpada parecia que iria durar mais do que eu próprio. Quantas vezes atravessaria o beco, de madrugada, bêbado, feliz, abraçado a ela, cantando fraquinho na sua orelha direita uma canção inventada. Ela se encolhia um pouco, inclinando o corpo, talvez incomodada com o meu bafo de champanha — ou talvez apenas para caber melhor dentro daquele instante. Em Paris, descolei aquele cantinho do céu. Não foi difícil — bastou subir alguns lances de escada num prédio antigo, sem elevador, onde o silêncio era acordo coletivo. Os poucos moradores eram discretos como sombras. Não havia portas batendo, discussões, música. Ali n...