"O Nevoeiro E O Texto De Sócrates": Conto de Maurício Menossi Flores.
Você
disse:
Eu ia por uma rua
na cidade de São Paulo, quando vi um templo, parecendo ser de origem árabe, com
muitos homens em fila na entrada desse templo, vestindo grandes turbantes azuis
e túnicas pretas. Tentei passar por uma passagem estreita, existente no recuo em
espécie de estacionamento em frente ao templo, mas tive receio de incomodar e
continuei pela calçada. Vi grande nevoeiro e, em meio a ele, um avião de porte
pequeno, na cor vermelha, após uma manobra, começou a cair. Esperei a explosão,
a qual não ocorreu. Segui em frente, esperanço ver a aeronave destroçada, mas
deparei-me com praia bastante frequentada, onde os banhistas brincavam em
grandes pedras. Ouvi uma voz e, quando abaixei o meu olhar, havia mulher idosa
de cor parda, cabelos crespos e grisalhos, magra, que, terminando uma espécie
de recitação, disse-me: é um texto de Sócrates. Fiquei espantado com aquilo.
Aproximou-se um banhista de meia idade, de porte avantajado, porém de meia
estatura e pediu a a mulher, supostamente sua mãe a acompanhar. Esse homem
mostrava estar um tanto contrariado. Quero que crie um conto com o texto
anterior.
O ChatGPT
disse:
Segue o conto, elaborado a partir do seu relato, mantendo o clima
onírico, urbano e filosófico:
O Nevoeiro e o Texto de Sócrates
Eu caminhava por uma rua de São Paulo quando me deparei com um templo
que parecia deslocado no tempo e no espaço. Sua arquitetura evocava algo árabe,
antigo e severo, como se tivesse sido transplantado de outro continente sem
pedir licença à cidade. À entrada, uma fila silenciosa de homens aguardava.
Vestiam turbantes azuis, amplos como o céu que não se via, e túnicas pretas que
lhes cobriam o corpo até os pés. Havia neles uma disciplina quase mineral, como
se fossem parte da própria construção.
Em frente ao templo, um recuo semelhante a um pequeno estacionamento
formava uma passagem estreita. Tentei atravessá-la, mas temi perturbar aquela
ordem rígida e inexplicável. Recuei. Preferi seguir pela calçada, como quem
escolhe o caminho mais comum para não ser notado.
Foi então que o nevoeiro surgiu.
Não veio aos poucos: ergueu-se de súbito, denso, esbranquiçado, anulando
fachadas, postes e ruídos. A cidade dissolveu-se. No alto, entre farrapos de
névoa, surgiu um avião pequeno, vermelho como um aviso tardio. Ele fez uma
manobra brusca, quase graciosa, e começou a cair. Esperei o impacto, a
explosão, o fim estrondoso que justificasse aquela queda. Nada aconteceu.
Nenhum som, nenhum fogo.
Movido por uma curiosidade inquieta, avancei. Esperava encontrar
destroços, metal retorcido, talvez restos de fumaça. No entanto, o cenário
transformou-se diante de mim como uma cortina que se abre para outro
espetáculo.
Havia uma praia.
Uma praia viva, luminosa, cheia de gente. Banhistas brincavam sobre
grandes pedras, riam, escorregavam, desafiavam o equilíbrio como crianças ou
como deuses menores que ignoram o perigo. O mar não rugia; parecia observar.
Não havia vestígios do avião, nem da cidade, nem do templo.
Ouvi então uma voz.
Quando baixei o olhar, vi uma mulher idosa. Era parda, magra, de cabelos
crespos já tomados pelo grisalho. Estava sentada próxima às pedras, como se
aquele lugar lhe pertencesse desde sempre. Seus lábios se moviam num ritmo
lento, cadenciado, como quem conclui uma oração ou uma lição antiga. Ao
terminar, levantou os olhos para mim e disse, com simplicidade desconcertante:
— É um texto de Sócrates.
Fiquei espantado. Não pelo nome, mas pela naturalidade com que ele
surgira naquele lugar improvável, entre pedras, sal e corpos em movimento.
Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, aproximou-se um homem de meia
idade. Era robusto, de porte avantajado, embora não fosse alto. Seu rosto
trazia um certo cansaço irritado, como quem interrompe algo que não compreende
ou já desistiu de compreender.
— Mãe, vamos — disse ele, num tom contrariado, quase impaciente.
Ela levantou-se sem protesto. Passou por mim como quem atravessa um
pensamento alheio e segue adiante. O homem lançou-me um olhar rápido,
indiferente, e conduziu-a para longe.
Fiquei ali, entre o mar e o nevoeiro que começava a se dissipar,
tentando entender se tinha visto uma queda ou uma elevação, um acidente ou uma
lição. Pensei em Sócrates, na cidade, no templo, no avião que não explodiu. E
tive a estranha sensação de que a filosofia, como aquele avião vermelho, às
vezes cai apenas para nos obrigar a olhar para outro horizonte.
Depois disso, segui em frente, sem saber exatamente por onde.

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