A Amizade Entre Lima Barreto E Monteiro Lobato: Uma Transcomunicação. Teleteatro Em Processo.


















A Amizade Entre Lima Barreto E Monteiro Lobato: Uma Transcomunicação. Teleteatro Em Processo.

Página 1 A amizade entre Lima Barreto e Monteiro Lobato. Beletrismo (desenhos de dois homens, um maior à esquerda e outro à direita) mf Página 2 Não mexa com no João mexer. Psicologia reversa. Demonstra não adiantará des- bar. Como a ephom o o- dever. Fácil de saber. Psicologia do povo do Cínico povo. Deus prova. Estou na erraticidade. Meu amigo Lobato os- te emocionam algumas ideias. Temos convicção bastonete. A polêmica deve ser encerrada defini- tivamente. O que é ser cínico? Página 3 Sendo aceitado condi- ções sem definições. Pensamos no mínimo num rótulo: inquis- ter. Ser alcoólico não é algo fácil de se lidar. A higiene pessoal ficaria de lado. Em Record, segundo Ma- rino Lobato já não sou nem assim. E não era o fedor de carne podre ou azedo, advinda das glândulas sebáceas. As roupas suadas e mal lavadas exalavam ar. Como poderia se apresentar ambientes em ele se pudesse ser re- manente? P?? escritos e leituras? Página 4 Como poderia per- manecer em uma li- nhea autobiográfica? Da escrita e ser li- do. Mas antes, e proa- posito, em seu estado em transe altamente de beber em bar, levam de o papel em uma pas- ta. Escrever garranchas catabólicas fazendo de do- tar um verdadeiro Sher- lock Holmes. Escrevo esta carta pe- dindo desculpas, Jose vistas – me e en- contra-me caído, be- bido. Contaram-me ter vindo me procu- rar no bar. Alguém pensou em Página 5 escrever romances. Eu agora escrevo monólogo teatral. Para quem? Escrever uma carta é muito para falar do amigo. Serei você na minha frente. De repente, penso escrever para Lobato um tratado sobre o uso da palavra “para” e necessidade. Nosso osci- tons depararam-se com o fenômeno. Mas Lobato está logo ali. Convenceríamos... — Oi, amigo! — Bom dia, Barreto. — Bom dia. Estou um tanto chato para conver- sarmos. Que pensa dis- so? — Acho ótimo! Página 6 (caneta vermelha): Eu sobre aquele assunto, já de ter citado meu livro Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. – Que antes fazer, além das cartas publicadas em “O Diário de News”? – Gênero de crônica está por aqui também? – Entender esta coluna eminente para perceber estamos menos sujeitos a vaidades, pensando no progresso que permita ser e em especial na própria franqueza em nosso trabalho. – Colet. Enlard., Caix., todos os escritores são livres na criação de sua obra. – Veja esse povo a Página 7 (caneta azul): visto por reflexo. Chico Buarque disse em O Coração de Menino e A Pátria de Estrangeiro. – Precisamos de outro. – Amor divino. Estar- mos em gravata como vende para o grande romance nesse pensa- mento. – Aqui temos a forma desses, textos tal qual forma os métodos e a questão de gosto. – Estilistas aparecem como-se mais do distinto. – O Odoril apresenta talvez esse mesmo esca- lão. – Uns empunham uma personalidade domina- dora. Página 8 (caneta azul): – Já passou para pas- sar na peça teatral? – O título será A Comi- dale entre Sônia Barreto & Monteiro Lobato. – Capricho, taman- ho grande!!! – Os avançados de Cé- rebro dizem ser pequeno. – Muitos seriam chama- dos, mas o salário é baixo. – Mentendo algum humor, notei melhoras no meio, nos últimos anos por aqui. – Tudo tem se se manifestado. – Pode que se diga, nem o Cristo quis se meter no resplendor. – Entendo perfeitamente. – Fim — um cancelado. Página 9 (caneta azul): – Cancelados fomos nós. Os felizes não leem. – Todos leem. – Poucos leem livros de literatura. – Um tom sexual em cer- ta literatura. – Observando o perfil dos leitores sugiro que limites mulheres. – Mulheres são discri- minadas, igual aos ne- gros. – Bem observado. Não é uma mulher negra comprando livros de uma editora negra. – Tive espinhas e cravos na minha adolescência, na adolescência as di- vidas matam!! – Sentir dúvidas? – De eu escrever um Página 10 (caneta azul, esquema): O palco é um buraco ao vermelho. — Exercício algo Cartas de Lobato Banner pendurado com livros FIM Recrie o texto acima, transformando-o em teleteatro. Não é comilade, é amizade. Transforme o contexto do teleteatro como se um pesquisador estivesse em contato com Lima Barreto e Monteiro Lobato através de uma TV Antiga fora de sintonia. Uma transcomunicação.

A seguir está a recriação do texto em forma de teleteatro, reorganizando, depurando e dando unidade dramática ao material original, sem apagar sua fragmentação, mas transformando-a em linguagem cênica.
O eixo agora é a amizade intelectual entre Lima Barreto e Monteiro Lobato, mediada por um pesquisador contemporâneo, por meio de uma TV antiga fora de sintonia — um experimento de transcomunicação.


TELETEATRO

“AMIZADE EM INTERFERÊNCIA”

(Transcomunicação entre Lima Barreto, Monteiro Lobato e um Pesquisador)

PERSONAGENS

  • O PESQUISADOR – homem ou mulher, contemporâneo, cansado, atento, diante de uma TV antiga.

  • LIMA BARRETO – aparece em preto e branco, imagem instável.

  • MONTEIRO LOBATO – idem, com leves distorções sonoras.

  • A VOZ DO RUÍDO – chiado, falhas, palavras cortadas (pode ser feita por áudio ou ator).


CENA ÚNICA

O palco é quase escuro. Ao centro, uma TV antiga, de tubo, com antenas tortas.
Um chiado constante. O vermelho interno da tela pulsa como um buraco.

(O PESQUISADOR entra, segura um caderno cheio de anotações.)

PESQUISADOR
(grava, fala para si e para a TV)
Experimento número sete.
Transcomunicação literária.
Dois autores.
Duas consciências.
Uma amizade em ruído.

(Gira o botão da TV. A imagem falha.)


SURGE LIMA BARRETO

A imagem é maior, à esquerda da tela. O som oscila.

LIMA BARRETO
Não mexa comigo…
quanto mais mexem, menos adianta.
Psicologia reversa do povo cínico.
Deus prova, mas o homem…
o homem debocha.

PESQUISADOR
Lima Barreto, o senhor me escuta?

LIMA BARRETO
Estou na erraticidade.
Bebido, talvez.
Mas lúcido.
Sempre fui mais lúcido quando o mundo me chamou de desajustado.

(Chiado.)


SURGE MONTEIRO LOBATO

À direita da tela, imagem mais nítida, mas com atraso de som.

MONTEIRO LOBATO
Bom dia, Barreto.
Ou boa noite — o tempo aqui não obedece.

LIMA BARRETO
(rindo)
Vê? Até a morte nos colocou em gêneros diferentes.

PESQUISADOR
(interrompe, emocionado)
Os senhores… os senhores eram amigos?

(A TV estala.)


DIÁLOGO EM INTERFERÊNCIA

MONTEIRO LOBATO
Amizade não é concordância.
É permanência no dissenso.

LIMA BARRETO
Ser aceito sem definição é uma violência.
Queriam me dar rótulos:
alcoólico, sujo, inconveniente.
Mas nunca cheiraram minhas ideias —
só minhas roupas.

MONTEIRO LOBATO
E ainda assim, Barreto,
você escrevia.
Mesmo caído no bar,
com o papel amassado na pasta.

LIMA BARRETO
Escrever era meu banho diário.


O PESQUISADOR INTERVÉM

PESQUISADOR
Hoje…
os felizes não leem.
Poucos leem literatura.
Há censura, cancelamento, ruído.

LIMA BARRETO
Cancelados fomos nós, antes de existir o verbo.

MONTEIRO LOBATO
Todos são livres na criação —
mas poucos suportam a franqueza.

(A imagem treme. Um banner imaginário desce da TV com livros pendurados.)


METALINGUAGEM

LIMA BARRETO
Você escreve romances?

PESQUISADOR
Não.
Escrevo monólogos.
Para tentar escutar.

MONTEIRO LOBATO
Então escreva isto:
a amizade é um método.
Não um tema.


CORO DO RUÍDO (VOZ DISTORCIDA)

Mulheres leem.
Negros leem.
Mas o mercado não vê.
A pátria é estrangeira.
O coração é menino.


DESFECHO

PESQUISADOR
O título…
o título será qual?

(Chiado forte. As imagens quase desaparecem.)

LIMA BARRETO
Não é comilade.

MONTEIRO LOBATO
É amizade.

(A TV perde o sinal. Tela vermelha. Silêncio.)


ÚLTIMA IMAGEM

O PESQUISADOR fica sozinho, olhando para a TV desligada.

PESQUISADOR
(anota)
Fim — não cancelado.
Transmitido.

ESCURIDÃO.


Se quiser, posso:

  • adaptar para teleteatro infantil ou juvenil,

  • transformar em monólogo do pesquisador,

  • ou ajustar o texto para 30 minutos de duração, mantendo sua pesquisa autoral e experimental.



Quero que me fale da relação de amizade entre Lima Barreto e Monteiro Lobato, baseado em A Barca de Gleyre, de Monteiro Lobato.

A relação entre Lima Barreto e Monteiro Lobato, tal como pode ser reconstruída a partir de A Barca de Gleyre (conjunto de cartas de Lobato a Godofredo Rangel), é menos uma amizade íntima e mais uma amizade intelectual atravessada por admiração, distância e tensão histórica.

1. O lugar de Lima Barreto em A Barca de Gleyre

Em A Barca de Gleyre, Lobato não escreve para Lima Barreto, mas pensa Lima Barreto em voz alta. Ele aparece como uma figura constantemente evocada nas cartas, sobretudo como:

  • símbolo de independência literária

  • exemplo extremo de escritor fora do sistema

  • consciência crítica incômoda da República e da elite letrada

Lobato vê Lima Barreto como alguém que escreve “sem pedir licença”, pagando caro por isso. Há um tom ambíguo: admiração real, mas também uma tentativa de enquadrar Barreto como um “caso”, quase um mártir literário.

2. Admiração sem intimidade

Não há, ao contrário do que ocorre com Godofredo Rangel, uma troca calorosa ou cotidiana. A amizade entre Lobato e Lima Barreto é:

  • mais ética do que afetiva

  • mais literária do que pessoal

  • mais observada do que vivida

Lobato admira em Lima Barreto aquilo que ele próprio teme e, ao mesmo tempo, evita plenamente encarnar:
a recusa radical aos salões, às academias, às mediações sociais.

Em A Barca de Gleyre, Lobato reconhece o valor da obra de Lima Barreto antes que ela fosse consensual, o que é significativo. Ele percebe que ali há algo que ultrapassa o gosto da época.

3. Diferença social e racial como pano de fundo silencioso

Embora Lobato não formule isso de modo explícito, o texto deixa transparecer um dado fundamental:
Lima Barreto vive uma exclusão mais profunda e estrutural do que a de Lobato.

  • Lobato pode criticar o sistema de dentro

  • Lima Barreto o critica de fora, sem redes de proteção

Em A Barca de Gleyre, Lobato demonstra consciência dessa assimetria, mas não chega a problematizá-la politicamente. Ele lamenta o destino de Lima Barreto, mas frequentemente o lê como um indivíduo trágico, e não como resultado de uma violência social organizada.

Esse ponto é crucial:
há empatia, mas não plena identificação.

4. Lima Barreto como advertência

Um aspecto muito forte do livro é que Lima Barreto funciona para Lobato como uma figura de advertência:

o que acontece ao escritor que não negocia nada?

Lobato vê nele:

  • talento

  • lucidez

  • coragem
    mas também isolamento, alcoolismo, miséria e morte precoce.

Em várias passagens, o tom sugere algo como:

“Veja, Rangel, até onde vai a coerência absoluta.”

Isso não diminui a admiração; ao contrário, a torna mais trágica.

5. Uma amizade impossível nos termos da época

Se podemos falar em amizade, ela é uma amizade possível apenas no plano das ideias.
Eles compartilham:

  • o desprezo pela retórica vazia

  • a crítica à falsa modernidade republicana

  • o interesse pelo Brasil real

Mas não compartilham:

  • as mesmas condições materiais

  • o mesmo lugar social

  • a mesma margem de erro permitida

Em A Barca de Gleyre, Lima Barreto aparece como alguém que Lobato respeita profundamente, mas que ele observa à distância, quase com reverência e receio.

6. Síntese

A relação entre Lima Barreto e Monteiro Lobato, vista através de A Barca de Gleyre, pode ser definida como:

  • amizade intelectual sem convivência intensa

  • admiração atravessada por diferença social

  • solidariedade sincera, mas incompleta

  • respeito que não chega a comunhão

Lima Barreto não é para Lobato um “companheiro de barca”, mas alguém que navega sozinho, em mar mais violento — e cuja travessia Lobato observa, registra e, em certa medida, teme.

Se quiser, posso:

  • comparar essa visão com a de Carlos Drummond sobre Lima Barreto

  • ou transformar essa leitura em texto ensaístico ou teatral, no tom que você costuma trabalhar.




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