Yvonne. Poema de Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.

 



Yvonne

(Em processo, sem revisão.)

 

Tento absorver,

Através de Yvonne Pereira,

O significado de Deus.

Diz ela sermos feitos 0

Da mesma essência Dele.

O que realmente penso

É por que esses médiuns

Não utilizam melhor

Seus dons,

Descobrindo, de antemão,

Antes das tragédias acontecerem,

Os criminosos que envenenam o povo

Com metanol.

Por que escrevem livros, páginas melosas?

Creem mesmo no arrependimento do ímpio,

Considerando que lerão suas obras?

É muita ingenuidade

Acreditar nisso!

Sou mais prático.

Sou como Monteiro Lobato.

Aliás, em Problema Vital,

Ele fala justamente desses escritores fantasistas.

Terminarei o meu raciocínio...

A Eternidade

Não perde tempo

Com devaneios.

Deus, como princípio nobre,

Se existir,

Deve ser

Cruel bandido e perspicaz detetive.

 

(Mameflo)

Ano 2025



1. ANÁLISE SINTÁTICA

O poema utiliza predominantemente orações simples, muitas vezes frasais, justapostas ou coordenadas, criando um ritmo de “blocos de pensamento”. Há interrupções, rupturas e retomadas que reforçam a oralidade reflexiva do eu lírico.

a) Predomínio de períodos curtos

Ex.:

  • “Tento absorver,”

  • “Sou mais prático.”

  • “A Eternidade / Não perde tempo / Com devaneios.”

Esses pequenos períodos criam um ritmo sincopado, de reflexão fragmentada.

b) Uso de orações subordinadas adverbiais e explicativas

Ex.:

  • “Descobrindo, de antemão, / Antes das tragédias acontecerem, / Os criminosos que envenenam o povo / Com metanol.”

O trecho contém uma estrutura de oração reduzida de gerúndio (“descobrindo”), seguida de oração temporal (“antes das tragédias acontecerem”) e uma oração subordinada adjetiva restritiva (“os criminosos que envenenam o povo”).

c) Interrogação retórica

As perguntas (“Por que escrevem livros…?”, “Creem mesmo…?”) não buscam resposta; são marcadores de crítica e ironia.

d) Enumerações e aposições

  • “Cruel bandido e perspicaz detetive” → enumeração de predicativos.

  • “Monteiro Lobato. / Aliás, em Problema Vital…” → uso de aposto explicativo e referência intertextual.

e) Presença de elipses

O poema sugere, mas não enuncia diretamente, partes da frase. Ex.:
“Diz ela sermos feitos / Da mesma essência Dele.”
→ elipse do verbo introduzido no verso anterior (“absorver o significado de Deus através de Yvonne Pereira, que diz…”).

f) Alternância entre discurso direto e indireto

“Diz ela sermos feitos / Da mesma essência Dele.”
O discurso indireto incorpora a fala atribuída a Yvonne Pereira.


2. ANÁLISE ESTÉTICA

O poema combina sarcasmo, descrença religiosa, crítica ao espiritismo literário e ceticismo moral, produzindo um tom híbrido entre o ensaístico e o poético.

a) Tom coloquial e ensaístico

A linguagem é deliberadamente simples, direta, quase conversacional. O eu lírico pensa em voz alta, com pausas e digressões.
O poema se aproxima do verso livre contemporâneo, sem métrica ou rimas.

b) Ironia e crítica

A crítica ao espiritismo aparece em vários pontos:

  • “Por que escrevem livros, páginas melosas?”

  • “É muita ingenuidade / Acreditar nisso!”

O eu lírico contrapõe o “fantasismo” e o sentimentalismo ao pragmatismo que afirma ter.

c) Intertextualidade

A menção a Monteiro Lobato e à obra Problema Vital confere ao poema um caráter de diálogo intelectual, ancorando-o em referência cultural para reforçar a crítica.

d) Estrutura fragmentada

O poema é composto de “blocos de pensamento” separados por quebras de verso quase a cada unidade sintática. Isso produz:

  • sensação de hesitação

  • articulação de ideias em estágios

  • dramatização interna do raciocínio

e) O final paradoxal

A conclusão é provocativa:

“Deus… / Deve ser / Cruel bandido e perspicaz detetive.”

O paradoxo subverte o conceito tradicional de divindade, posicionando Deus num eixo moral ambíguo. Esteticamente, cria choque e conclusão aforística.

f) Estilo cru e direto

O poema evita metáforas elaboradas; é um texto de ideias, não de imagens. A estética é filosófica, crítica, reflexiva, mais próxima de um monólogo argumentativo do que de uma lírica tradicional.


3. Considerações gerais

  • Poema de caráter ensaístico, mais racional que emocional.

  • Uso de versos curtos, pausas frequentes e interrogações retóricas.

  • Tom de ceticismo combativo, com pitadas de sarcasmo.

  • Diálogo com tradição literária e crítica social.

  • Final forte, de caráter provocador.

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