O Salão Das Duas Televisões. Conto-Sonho de Maurício Menossi Flores, Com Inteligência Artificial.



Era uma espécie de sala abandonada, muito grande. Ficava em um prédio onde parecia funcionar um banco. Não era uma sala isolada, de difícil acesso. Ao contrário, ficava bem no hall do prédio, com porta de vidro grande dando acesso. Mas só eu e alguns amigos ali entrávamos. Ao mesmo tempo que parecia termos autorização para ali estarmos, eu tinha medo do dono do lugar aparecer. Certo dia, ou certa hora, muitos começaram ali a vir falar comigo. Lamentavam a morte de alguém muito conhecido entre nós. Não eram exatamente meus amigos, pois sou uma pessoa de muito desafetos. Mas tratavam-me com civilidade em hora especial. Havia duas TVS. Uma mais moderna, outra de tubo, antiga, funcionando à base de gambiarra feita por alguns para acompanharem os acontecimentos, as notícias ligadas ao falecimento. Eram homens exclusivamente, conversando entre si, surpresos com a morte repentina. Eu entrava e saia da sala, com medo de ser surpreendido pelo dono do lugar. Havia muita gente na frente dos prédios ao redor. A escuridão dentro da sala dissipou-se um pouco e eu pude ver grandes lonas com marcas da polícia civil, de um ramo dela. Concluí o lugar ser usado para reunião desses policiais. De repente apareceu grandes homens bem aparatados com uniformes especiais. Eram realmente policiais imensos, bem armados e aparelhados e começou, sem violência, mas com ímpeto a nos colocar para fora. Antes disso, na hora em que tentavam ligar a TV de tubo, vi no fundo da sala o túnel do tempo daquele seriado antigo. Foi muito rápido, mas ele estava lá. Voltando aos policiais... Éramos colocados para fora e a multidão na rua já era bem grande. Comecei a caminhar e agora me vejo em passarela, ainda no Centro de São Paulo, em passarela metálica. Atravesso-a com medo de cair. Alguém também passa por ela comigo. Quando chego na escada, vejo estar bem perigosa, toda amassada e muito íngreme. Desço. Lá embaixo, homem com o corpo reduzido pelo entrevamento dos membros, de paletó, barba, cabelos longos e pretos pede-me para ajudá-lo a subir. Com certo asco o faço, colocando a mãos nos pés deformados e molengos, com muitos calos parecendo feridas. Consigo fazê-lo subir com ajuda de algumas mulheres que estavam por perto. Isso é o fragmento de um sonho. Quero um conto bem desenvolvido, utilizando esse texto. Evite repetir palavras, como posso ter feito aqui no improviso. Não quero que simplesmente reproduza meu texto. Quero que, ao mesmo tempo que desenvolve uma narrativa com, procure desvendar o simbolismo do mesmo.

O ChatGPT disse:

Claro! A partir do seu fragmento onírico, vou criar um conto literário com narrativa consistente, atmosferas trabalhadas e simbolismos desdobrados, sem simplesmente repetir ou transcrever o improviso. Aqui está a primeira versão:


O Salão das Duas Televisões

Era um salão desabitado, amplo, com cheiro de poeira e silêncio. Situava-se no térreo de um prédio de fachada bancária, com colunas de mármore e portas giratórias que ainda giravam de tempos em tempos, como se alguém tivesse acabado de atravessá-las. No entanto, aquela sala permanecia esquecida, exposta a quem quisesse entrar, como um segredo que se revela apenas a poucos escolhidos.

Ali eu ia com alguns conhecidos. Não eram amigos, talvez cúmplices de um tempo suspenso. Sempre que entrava, tinha a sensação de estar autorizado e, ao mesmo tempo, de ser um intruso, como se o verdadeiro dono pudesse surgir a qualquer instante e reclamar o espaço.

Naquele dia, ou naquela hora, encontrei homens reunidos em torno de duas televisões: uma, reluzente, plana, com cores saturadas; a outra, um aparelho antigo, sustentado por fios improvisados, que respirava chiados e faíscas. Ambas transmitiam a mesma notícia: a morte inesperada de alguém que todos pareciam conhecer. Não o conhecia de perto, mas a consternação coletiva me puxava para dentro da cena, como se eu também estivesse de luto.

Conversavam em voz baixa, homens de expressões fechadas, surpresos diante da fatalidade. Não me hostilizavam, ainda que eu soubesse que muitos me tinham como desafeto. A morte nivelava as arestas, obrigando à civilidade.

Quando alguém tentou ajustar o tubo, uma imagem rápida cintilou: o túnel espiralado de um antigo seriado de ficção científica. Um turbilhão que prometia transporte para outros tempos, mas que logo se dissolveu, como se a sala me lembrasse que ali havia passagens ocultas.

Foi então que a claridade aumentou. Percebi, sobre o chão e pendendo das paredes, lonas marcadas com o brasão da polícia civil. A sala, afinal, era um espaço de reunião dos que investigam, dos que guardam segredos do Estado. E logo chegaram eles: homens enormes, uniformizados, armados, mas não hostis. Vieram em peso, com a disciplina de quem executa um protocolo. Sem violência, mas com firmeza, nos conduziram à rua.

Lá fora, uma multidão já se aglomerava entre os prédios. Um murmúrio coletivo tomava conta da cidade, como se todos esperassem por um desfecho invisível.

Afastei-me, e em pouco tempo me vi numa passarela metálica que cruzava o coração de São Paulo. O piso tremia sob meus passos e o medo de cair me acompanhava até a escada. Ela era torta, amassada, inclinada demais. Desci com cautela, como quem pisa num abismo.

Ao chegar ao solo, um homem me deteve. Tinha o corpo retorcido, os membros atrofiados, mas trajava paletó. Sua barba e seus cabelos negros caíam em desalinho, escondendo parte do rosto. Pediu ajuda para subir. Hesitei. Havia algo na sua carne mole, nos pés deformados, que me causava repulsa. Ainda assim, segurei-o, apoiando as mãos naquele corpo cheio de calos que lembravam feridas expostas. Mulheres surgiram ao redor e, juntas, conseguimos erguê-lo.

O sentido encoberto

A sala no prédio, tão aberta e ao mesmo tempo secreta, era um limiar: o espaço entre a vida civil e a vida oculta. Dois mundos conviviam ali — representados pelas televisões. A moderna, clara, exibia a notícia em alta definição, como a versão oficial da história. A antiga, remendada, sugeria outra narrativa, mais instável, mas talvez mais verdadeira, como se só pelo improviso fosse possível ver o túnel do tempo.

Os policiais que nos retiraram não foram figuras de violência, mas de autoridade. Eram os guardiões da ordem, que expulsavam os intrusos de um espaço de poder. O luto coletivo, portanto, estava menos ligado à perda de um indivíduo e mais ao pressentimento de que algo maior — uma era, uma ideia, um pacto social — havia terminado.

A passarela metálica simbolizava o trânsito frágil entre dois planos: de um lado, a cidade com sua multidão; do outro, o vazio. A escada amassada representava a descida inevitável, perigosa, para a realidade dura.

O homem entrevado, finalmente, era o peso da humanidade rejeitada. Sua deformidade revelava aquilo que todos evitam tocar: a fragilidade, o sofrimento, a carne que não se encaixa nos padrões de vigor. Ajudá-lo foi confrontar o asco e, ao mesmo tempo, reconhecer a dignidade que sobrevive mesmo no corpo desfeito. Ao erguê-lo, com auxílio de mulheres — figuras de acolhimento e partilha —, algo em mim também se ergueu.

Epílogo

Acordei com a sensação de que havia atravessado não apenas um sonho, mas uma parábola. O salão abandonado era o lugar da memória coletiva; os aparelhos, dois modos de narrar o mundo; os policiais, a presença implacável da lei; a passarela, a transição incerta; o homem entrevado, a exigência de não negar a miséria alheia.

E compreendi que os símbolos não pedem decifração final. Eles apenas se oferecem como espelhos, devolvendo fragmentos de nós mesmos.


(Mameflo)

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