Terceiro Lugar: Conto de Maurício Menossi Flores e Inteligência Artificial.



Terceiro Lugar: Conto de Maurício Menossi Flores e Inteligência Artificial.


Estava em uma cidade do interior, para fazer trabalho artístico. Quando fui à biblioteca, procurei motivos para brigar, alegando falta do livro que eu queria e falta de funcionários. Perambulei por essa cidade, tentando descobrir características típicas locais. Entre em uma construção simples, na qual havia mulheres idosas preparando pratos, especiarias gastronômicas. Procurava elementos propícios ao trabalho artístico a ser realizado, com o qual eu participaria de um concurso. Encontrei pessoa conhecida e comentei com ela ter esquecido todo o meu dinheiro, mas garantiria o segundo ou o terceiro lugar no concurso. Crie um conto bem elaborado, sem lugares comuns, com o fragmento de sonho apresentado.

O ChatGPT disse:

Aqui está um conto elaborado a partir do seu fragmento de sonho:


Terceiro Lugar

Cheguei à cidade pela manhã, com a pressa de quem já não tinha tempo a perder. O céu era de um azul opaco, sem brilhos, e as ruas pareciam limpas demais, como se tivessem sido lavadas durante a noite por mãos invisíveis. Eu trazia comigo a convicção de que precisava encontrar, entre aqueles becos e fachadas desbotadas, o alimento do meu trabalho artístico. Mas logo me dei conta de que qualquer paisagem, por mais pacata que fosse, só me ofereceria resistência.

Na biblioteca municipal, empurrei a porta de madeira e fui recebido por um cheiro de pó e silêncio. Os estantes guardavam volumes com capas frágeis, empenadas. Perguntei por um livro específico que nem eu lembrava qual era, apenas o título me escapava como um fiapo de vento. O funcionário, ou a ausência dele, foi suficiente para que eu buscasse motivo para discórdia. Aleguei desorganização, descaso, falta de zelo. Brigar era, ali, mais do que um capricho: era uma forma de sentir a realidade me contrariando, para que dela eu pudesse extrair algo vivo.

Saí e caminhei sem rumo, absorvendo o ritmo lento dos moradores. As calçadas ofereciam sinais mínimos de identidade: um muro pintado de cal, um varal atravessando a rua, crianças que passavam correndo com pedras nas mãos como se fossem tesouros. Eu queria algo que fosse, ao mesmo tempo, banal e revelador — mas ainda não sabia o quê.

Foi então que encontrei a construção de tijolos crus, sem acabamento. Dentro, um grupo de mulheres idosas mexia em panelas, pilava temperos, cortava raízes. Não havia luxo, apenas o brilho insistente das especiarias: o vermelho da páprica, o amarelo profundo da cúrcuma, o verde quase metálico da salsa. Cada prato preparado parecia conter não a receita de uma cozinha, mas a memória inteira da cidade. Observei-as em silêncio e percebi que ali estava o verdadeiro arquivo local: a biblioteca que eu havia acusado de ausente.

Continuei a perambular até cruzar com uma pessoa conhecida — não sei de onde. Seu rosto me ofereceu a familiaridade de um espelho partido. Contei-lhe, sem constrangimento, que havia esquecido todo o meu dinheiro. Ele não se surpreendeu. Respondi a mim mesmo, em voz alta, que isso não importava: bastava a garantia do segundo ou terceiro lugar no concurso.

Por que não o primeiro? Talvez porque o primeiro lugar exige certezas, e eu só carregava dúvidas. O segundo e o terceiro me pareciam territórios mais férteis, onde cabia o erro, o improviso, o fragmento. Era esse o prêmio que eu buscava: não a glória, mas a permissão de permanecer incompleto.

Naquela noite, ao preparar minhas anotações, percebi que a cidade havia me oferecido tudo o que eu precisava. Não era o livro perdido, nem as ruas calmas, nem as especiarias brilhantes. Era a própria contradição entre querer brigar e ser acolhido, entre não ter dinheiro e ainda assim apostar na conquista. Meu trabalho artístico nasceria do atrito — esse espaço em que o esquecimento se torna lembrança, e o fracasso, forma de vitória.

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