Poema "Reencarnação". De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.

 



Reencarnação


(Em processo, sem revisão.)

Não quero ser dos que tramam
Para o atraso da vida das gentes.
Não quero ser Raul Seixas
Depois de conhecer Paulo Coelho.
Quero sintetizar minha ciência
Em dormir na perspectiva
De, do outro lado,
Passar por intenso aprendizado.
De ter os espíritos como bons aliados
E de melhorar na intenção
De, na próxima reencarnação,
Estar melhor aparelhado.

(Mameflo)


Análise sintática

  1. Estrutura frasal predominante
    O poema é composto por orações coordenadas e subordinadas de caráter reflexivo, com forte uso da 1ª pessoa do singular (“quero”, “não quero”, “de ter”, “de melhorar”), o que reforça a subjetividade.

    • O encadeamento se dá muito pelo uso reiterado da conjunção subordinativa “de”: “De, do outro lado, / Passar...”, “De ter...”, “E de melhorar...” → cria um movimento de enumeração de desejos/projetos existenciais.

  2. Negação inicial
    O poema abre com duas negativas:

    • “Não quero ser dos que tramam / Para o atraso da vida das gentes.”

    • “Não quero ser Raul Seixas / Depois de conhecer Paulo Coelho.”
      Essas negativas funcionam como afastamentos identitários, delimitando o “eu” pelo que rejeita.

  3. Períodos compostos por coordenação e subordinação

    • “Quero sintetizar minha ciência / Em dormir na perspectiva / De, do outro lado, / Passar por intenso aprendizado.” → aqui há uma oração principal (“Quero sintetizar...”) expandida por complementos e subordinadas finais.

    • Os infinitivos (dormir, passar, ter, melhorar) dão ao poema uma suspensão verbal, como se tudo estivesse em projeto, nunca concluído.

  4. Fechamento em paralelismo
    O final retoma a forma do início, mas agora em tom afirmativo: “De, na próxima reencarnação, / Estar melhor aparelhado.”
    → Conclui o ciclo com expectativa de evolução, em contraste com as negativas de abertura.


🔹 Análise estética

  1. Tema
    O poema se estrutura em torno da reencarnação como metáfora de aprendizado e aperfeiçoamento moral e espiritual. Há uma tensão entre negação do que não se deseja ser e afirmação do que se busca conquistar.

  2. Intertextualidade e ironia

    • A referência a Raul Seixas e Paulo Coelho tem força estética: evoca ícones da contracultura e da espiritualidade pop, mas de modo irônico e crítico.

    • O verso “Não quero ser Raul Seixas / Depois de conhecer Paulo Coelho” sugere uma rejeição ao que seria uma espiritualidade pasteurizada ou um misticismo de consumo, contrastando com a busca pessoal do eu-lírico.

  3. Sonoridade e ritmo

    • Não há métrica fixa, mas há musicalidade pela repetição de estruturas (“Não quero ser...”, “De...”).

    • O uso reiterado do “de” funciona quase como um mantra, imprimindo cadência meditativa.

  4. Imagens poéticas

    • “Dormir na perspectiva / De, do outro lado, / Passar por intenso aprendizado” → associa o sono (metáfora da morte) à transição entre encarnações, com a promessa de crescimento.

    • “Melhor aparelhado” → imagem técnica, que dá um tom quase científico ao progresso espiritual, contrastando com a leveza das imagens anteriores.

  5. Estilo

    • Poema reflexivo, de caráter existencial-espiritual, que se equilibra entre a linguagem coloquial (“gentes”, “aparelhado”) e um tom filosófico.

    • Esteticamente, o poema não busca ornamento, mas clareza, quase como um testemunho íntimo em versos.


🔹 Síntese crítica

O poema apresenta uma construção sintática marcada por negações iniciais e enumerações em infinitivo, criando uma cadência reflexiva. Esteticamente, se destaca pelo tom direto, quase confessional, que contrapõe figuras da cultura popular (Raul, Coelho) a uma visão pessoal de evolução espiritual. O efeito final é de busca sincera por autenticidade, em que o eu-lírico rejeita modelos prontos e projeta sua própria caminhada evolutiva.


Quer que eu faça também uma sugestão de revisão estética, mexendo só no ritmo e na sonoridade (sem alterar o sentido), para você comparar com a versão em processo?

Você disse:
Quero que compare esse poema com poemas de escritores brasileiros e de língua portuguesa famosos.
O ChatGPT disse:

Perfeito, Maurício. Vou fazer uma comparação detalhada, mostrando afinidades e diferenças entre seu poema “Reencarnação” e poemas de escritores consagrados da língua portuguesa, focando em temática, estilo, ritmo e abordagem existencial.


1. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – Modernismo brasileiro

  • Afinidades:

    • Reflexão existencial: como em “No meio do caminho” ou “José”, seu poema expressa dúvidas e escolhas do eu-lírico.

    • Linguagem direta e coloquial: Drummond muitas vezes usa palavras simples para discutir questões complexas, semelhante ao uso de “gentes” ou “aparelhado”.

    • Tom de crítica indireta: seu verso “Não quero ser Raul Seixas / Depois de conhecer Paulo Coelho” tem um humor sutil, reminiscente do sarcasmo irônico de Drummond.

  • Diferenças:

    • Drummond tende a condensar imagens e trabalhar mais com metáforas intensas e paradoxos; seu poema é mais explícito e discursivo.

    • Estrutura: Drummond varia entre versos curtos e longos, mas muitas vezes mantém uma musicalidade interna por aliteração e ritmo, enquanto seu poema aposta na repetição de infinitivos e paralelismo.


2. Manuel Bandeira (1886-1968) – Poesia lírica e reflexiva

  • Afinidades:

    • Temática de introspecção e reflexão sobre a vida e a morte, similar a poemas de Bandeira como “Vou-me embora pra Pasárgada” ou “Evocação do Recife”.

    • Uso do cotidiano e da cultura pop como referência implícita: você cita Raul Seixas e Paulo Coelho, trazendo elementos reconhecíveis da experiência do leitor.

  • Diferenças:

    • Bandeira muitas vezes emprega melancolia lírica e musicalidade suave, enquanto seu poema tem tom mais declarativo e assertivo, voltado à projeção da própria trajetória espiritual.


3. Ferreira Gullar (1930-2016) – Poesia engajada e existencial

  • Afinidades:

    • Preocupação com a condição humana e a transformação do eu, visível em “Poema Sujo”.

    • Combinação de pensamento crítico e experiência pessoal: seu poema rejeita certos modelos culturais e afirma um ideal de crescimento, ecoando o engajamento ético de Gullar.

  • Diferenças:

    • Gullar geralmente mistura o político e o íntimo, enquanto seu poema foca mais no espiritual e na evolução pessoal, sem inserção direta de crítica social ampla.


4. Fernando Pessoa / heterônimos (1888-1935)

  • Afinidades:

    • O tema da reencarnação e da autotransformação remete ao Alberto Caeiro e Ricardo Reis, que exploram existência, passagem do tempo e preparo para a vida e a morte.

    • Reflexão metafísica e introspectiva é um traço comum: seu poema tem esse caráter de meditação existencial.

  • Diferenças:

    • Pessoa trabalha muito com sonoridade, ritmo interno e construção simbólica complexa; seu poema tem estilo mais direto e discursivo, quase como um diário em verso.


5. Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004, Portugal)

  • Afinidades:

    • Claridade e simplicidade do vocabulário, que comunica ideias profundas sem ornamento excessivo.

    • Busca de harmonia entre vida, ética e experiência espiritual: Sophia frequentemente associa natureza e moralidade à reflexão sobre o ser.

  • Diferenças:

    • Sophia explora imagens naturais e visuais; seu poema é mais filosófico-conceitual, centrado na vida espiritual e na cultura pop.


🔹 Observações gerais

  • Seu poema tem afinidades com a tradição lírica moderna e contemporânea brasileira e portuguesa, especialmente no uso de primeira pessoa, reflexão existencial e crítica implícita.

  • Difere pelo tom declarativo e discursivo, quase como manifesto pessoal, mais do que pela exploração de metáforas complexas ou musicalidade interna sofisticada.

  • O contraste entre referências culturais pop (Raul Seixas, Paulo Coelho) e reflexão espiritual é original e contemporâneo, aproximando sua voz poética de um estilo moderno-filosófico, algo entre Drummond e Gullar, mas com liberdade maior de linguagem coloquial.

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