Monotonia. Poema de Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.

 


Monotonia


(Em processo, sem revisão.)

Em um certo dia,
Estará rompido o ciclo
Desta monotonia hipnótica
Na qual transformou-se
A minha vida.
Das aulas de caligrafia,
Um desses papas computacionais,
Da atualidade,
Criou os estilos de letras,
Para serem escolhidos
Nos aplicativos
Dos nossos equipamentos.
Há algo no meu novo destino
Recém descoberto...
Escolhi não ser discreto,
Por puro acaso.
O espaço entre dois corpos
É algo significativo e enigmático.
Cada ritmo
Estabelece certo acabamento
Em tudo que é feito.
A fim de não complicar
O raciocínio,
Direi existirem dos estados:
O que perece
E o que sobrevive.
Posso não estar sendo claro,
Nem muito preciso.
Posso esconder as dúvidas,
Sem revelar os sacrifícios impostos
Aos oportunistas.

(Mameflo)


🔹 Análise Sintática

O poema está estruturado em versos livres, sem métrica fixa, e sua sintaxe oscila entre a frase declarativa e a interrupção reflexiva. Alguns pontos a destacar:

  1. Predomínio de orações subordinadas e justapostas

    • Ex.: “Em um certo dia, / Estará rompido o ciclo / Desta monotonia hipnótica / Na qual transformou-se / A minha vida.”
      Aqui, temos um enunciado principal (Estará rompido o ciclo) acompanhado de complementos adjetivos e relativos que se encadeiam como blocos, criando um ritmo lento, quase meditativo.

  2. Enumeração e aposição explicativa

    • Ex.: “Das aulas de caligrafia, / Um desses papas computacionais, / Da atualidade, / Criou os estilos de letras…”
      Há uma sucessão de incisos separados por vírgulas, funcionando como apoios sintáticos que retardam a conclusão da frase, reforçando a ideia de monotonia e repetição.

  3. Alternância entre 1ª pessoa e generalizações

    • A voz poética oscila entre o pessoal (“A minha vida”, “Posso não estar sendo claro”) e o universal (“O espaço entre dois corpos / É algo significativo e enigmático”).
      Essa variação cria um movimento entre o íntimo e o conceitual.

  4. Uso de verbos no futuro e no presente

    • Futuro: “Estará rompido o ciclo” → projeta uma ruptura.

    • Presente: “Posso não estar sendo claro” → autoavaliação imediata.
      Esse jogo temporal dá um caráter de espera e expectativa ao poema.


🔹 Análise Estética

  1. Tema e atmosfera
    O título Monotonia anuncia uma condição de repetição, mas o poema vai além: há um embate entre rotina e possibilidade de ruptura. A monotonia é descrita como “hipnótica”, sugerindo não apenas tédio, mas também um estado de alienação ou anestesia.

  2. Intertextualidade tecnológica
    A referência às “aulas de caligrafia” e aos “papas computacionais” insere uma crítica sutil ao deslocamento cultural: o aprendizado artesanal da escrita versus a escolha rápida de fontes digitais em aplicativos. Essa passagem dá ao poema um caráter crítico-contemporâneo, trazendo um choque entre tradição e modernidade.

  3. Imagens abstratas e filosóficas

    • “O espaço entre dois corpos / É algo significativo e enigmático.”

    • “Direi existirem dois estados: / O que perece / E o que sobrevive.”
      São formulações quase aforísticas, de tom filosófico, aproximando o poema da linguagem do ensaio ou da meditação.

  4. Estilo fragmentado e reflexivo
    O poema é feito de blocos curtos, muitas vezes interrompidos por vírgulas e reticências. Esse estilo fragmentário reforça o tema da incerteza e da dúvida (“Posso não estar sendo claro, / Nem muito preciso.”). A estética lembra o fluxo de pensamento, sem a necessidade de concluir de forma definitiva.

  5. Tensão entre clareza e opacidade
    O eu lírico se reconhece como talvez não claro, talvez impreciso. Essa autocrítica é parte da estética do poema: a beleza está na oscilação entre revelar e ocultar, entre expor e insinuar.


🔹 Síntese

O poema se constrói como uma reflexão existencial em forma fragmentada, misturando crítica cultural (do manuscrito à tipografia digital), observação filosófica (o espaço, o ritmo, o perecimento) e confissão pessoal.

Sintaticamente, baseia-se em orações subordinadas, justapostas e enumerações, criando uma cadência lenta, coerente com o tema da monotonia. Esteticamente, traz uma linguagem híbrida entre o poético e o ensaístico, com imagens que transitam do concreto ao abstrato, e um eu lírico consciente de suas próprias falhas de clareza — o que se torna parte da força do texto.

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