Excesso de Rumo. Poema de Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.
Excesso de Rumo.
(Em processo, sem revisão.)
Preocupo-me exageradamente
Com as circunstâncias da existência
E fico antecipando o fatal destino
De todas as criaturas
Deste Universo findo.
Soubesse a levedura
Dar outro rumo para a catacumba,
Pensasse a formiga em como deixar
De seguir sua sina,
Estaria eu bem mais rotundo.
Coisificando o mundo,
Vou seguindo o rumo
Apontado em uma esquina
Pelo ronco do motor
De um motociclista
Ou pelo sol difuso
Em meio às nuvens.
(Mameflo)
Análise Sintática
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Estrutura frasal:O poema é constituído de períodos curtos, alguns coordenados, outros subordinados, muitas vezes sem a rigidez da norma culta, o que dá fluidez ao texto. O uso frequente da conjunção ou do encadeamento por justaposição marca um ritmo entrecortado, reflexivo.
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Predomínio de orações subordinadas:
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“Preocupo-me exageradamente / com as circunstâncias da existência” → oração principal simples, introspectiva.
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“E fico antecipando o fatal destino / de todas as criaturas / deste Universo findo.” → oração subordinada substantiva objetiva direta (“antecipando o destino”) ampliada por complementos circunstanciais.
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“Soubesse a levedura / dar outro rumo para a catacumba” → estrutura condicional, elíptica de oração principal, gerando suspensão.
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“Pensasse a formiga em como deixar / de seguir sua sina” → oração hipotética que reforça a condicionalidade.
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Elipses e quebras:Há omissões de sujeitos e conectores que criam um efeito de abertura semântica. Ex.: “Soubesse a levedura…” (se soubesse → quem? → sujeito deslocado da lógica gramatical).
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Enumeração e paralelismo:
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“Pelo ronco do motor / De um motociclista / Ou pelo sol difuso / Em meio às nuvens.” → enumeração de imagens que fecham o percurso da voz poética.
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2. Análise Estilística
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Tom geral:O poema tem um tom filosófico-existencial, oscilando entre a meditação abstrata (“circunstâncias da existência”, “fatal destino”, “Universo findo”) e imagens concretas do cotidiano (“ronco do motor”, “sol difuso”). Essa oscilação cria tensão entre o grandioso e o banal.
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Vocabulário:Mistura termos eruditos e graves (“catacumba”, “coisificando”, “rotundo”, “sina”) com imagens triviais e imediatas (“motociclista”, “esquina”). Esse contraste reforça a ideia de “excesso de rumo”: entre a profundidade metafísica e o acaso cotidiano.
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Figuras de linguagem:
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Metáfora: “Soubesse a levedura / dar outro rumo para a catacumba” → associa fermentação (vida) ao destino de morte.
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Personificação: a “formiga” pensante.
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Metonímia/sinestesia: “pelo ronco do motor” como guia do rumo, som que vira direção.
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Antítese: grandeza cósmica x esquina cotidiana; destino fatal x improviso da vida.
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Ritmo e sonoridade:O uso de palavras graves e longas (“exageradamente”, “circunstâncias”, “catacumba”, “rotundo”) alternadas com termos curtos e sonoros (“rumo”, “mundo”, “motor”) cria um balanço entre densidade e leveza.Assonâncias em “rumo/rotundo/mundo/motor” reforçam a circularidade temática.
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Movimento interno:O poema parte da preocupação íntima (“Preocupo-me exageradamente”) → avança para condicionais hipotéticas (“Soubesse a levedura… Pensasse a formiga…”) → chega a uma espécie de aceitação resignada, guiada por acasos sensoriais do mundo (“Vou seguindo o rumo… pelo ronco do motor… pelo sol difuso…”).Há um deslocamento da especulação metafísica para a concretude sensorial.
3. Síntese Interpretativa
O poema traduz a angústia diante do “destino fatal” de todas as criaturas, contrapondo reflexões existenciais pesadas a imagens banais e cotidianas. O sujeito poético parece reconhecer a futilidade de antecipar o fim inevitável e encontra no acaso (o motor, o sol) uma espécie de guia provisório.
O título Excesso de Rumo se resolve ironicamente: o excesso de rumos acaba por significar a impossibilidade de controle — resta seguir impulsos fortuitos.

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