Poema "Sentido", De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.
Sentido
(Em processo, sem revisão.)
O sentido de certa sequência
De acontecimentos,
No decorrer de décadas,
Aparece em sensações repentinas,
Resultados de reflexões demoradas.
Das múltiplas tidas,
No mais recentes dias.
Dou, como exemplo,
As aulas de Física
Do cursinho preparatório
Vindas à mente,
Quarenta anos depois...
E, ainda,
Relendo o livro
De Einstein e Infeld,
No capítulo tratando
Do movimento browniano,
De que me serviriam agora,
Se não fosse a minha prática
De escrever monólogos teatrais?
Ao mesmo tempo, descubro
O porquê de compor poemas
Parecendo sambas-enredo.
Seria prazerosa comparação,
Caso eu não abominasse
O Carnaval.
(Mameflo)
🔹 Análise Sintática
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Predomínio de orações subordinadas:
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Exemplo: “O sentido de certa sequência / De acontecimentos, / No decorrer de décadas, / Vem em sensações repentinas, / Resultados de reflexões demoradas.”
Aqui, temos uma oração principal (“O sentido (…) vem”) e complementos que se acumulam por justaposição.
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Uso da justaposição e da elipse:
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O poema não segue períodos fechados em prosa. Em vários momentos, as vírgulas e quebras de verso substituem conectivos ou sujeitos.
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Exemplo: “Das múltiplas tidas, / No mais recentes dias.” — oração truncada, com supressão do verbo, que deixa em aberto a ligação com o todo.
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Predomínio de frases nominais:
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Muitos versos não apresentam verbo explícito, funcionando como fragmentos: “Dou, como exemplo, / As aulas de Física / Do cursinho preparatório / Vindas à mente, / Quarenta anos depois...”
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Essa fragmentação cria efeito reflexivo, como se os pensamentos fossem anotações surgindo em flashes.
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Verbos no presente e no passado:
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Presente: “descubro”, “dou”, “seria” — situam o sujeito na atualidade reflexiva.
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Passado remoto/memorial: “Vindas à mente, / Quarenta anos depois...” — marca a lembrança.
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Essa alternância temporal reflete a ideia central de “sentido” que se revela apenas no cruzamento entre memória e presente.
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🔹 Análise Estilística
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Tom reflexivo e ensaístico:
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O poema se aproxima mais de um registro meditativo que de uma lírica tradicional. Ele dialoga com a prosa filosófica, mas condensada em versos quebrados.
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Estrutura fragmentada:
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A quebra de versos funciona como pausas de pensamento, não como ritmo sonoro fixo.
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Essa fragmentação cria um tom de fluxo de consciência, em que o “sentido” se constrói aos poucos, em associações livres.
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Intertextualidade:
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O poema remete diretamente a Einstein e Infeld (A Evolução da Física), misturando memória pessoal (aulas de cursinho) e leitura filosófica.
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Isso reforça o caráter híbrido: entre a autobiografia e a reflexão intelectual.
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Tensão entre memória e criação:
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A lembrança do estudo científico só encontra utilidade no presente artístico: “De que me serviriam agora, / Se não fosse a minha prática / De escrever monólogos teatrais?”
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Aqui o poema ganha densidade, sugerindo que o conhecimento só adquire valor quando atravessado pela arte.
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Ironia final:
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A autodepreciação poética surge no fecho: “Seria prazerosa comparação, / Caso eu não abominasse / O Carnaval.”
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O “samba-enredo” aparece como metáfora inesperada para a forma dos poemas, mas é recusado com humor e crítica cultural.
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Essa ironia evita que o poema caia em solenidade excessiva, fechando com gesto seco e desconcertante.
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🔹 Síntese
O poema Sentido trabalha com uma sintaxe entrecortada, de fragmentos reflexivos, que mimetiza o movimento da memória e da meditação. Estilisticamente, é um texto híbrido, a meio caminho entre ensaio e poesia, onde o ritmo vem mais das pausas do pensamento do que de métrica ou rima. A ironia final quebra o tom filosófico, reforçando uma marca pessoal de estilo: unir introspecção e crítica cultural, sem complacência.

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