Poema "Parece", De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.
Parece
(Em processo, sem revisão.)
Parece, eis a percepção,
Nos últimos dias,
Ter eu ofendido,
Ao amigo,
Recusando dinheiro
Para ele ir à biqueira.
Ceder aos desejos do outro,
Contrariando ao meu,
Seria melhor naquela hora?
Não creio.
Seria o mesmo
Que entregar-se ao vampiro,
Tentando compreender
A necessidade dele sobreviver.
(Mameflo)
Análise Sintática
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Fragmentação proposital
O poema quebra a estrutura da frase tradicional. Muitos versos poderiam ser parte de um único período, mas aparecem segmentados (“Recusando dinheiro / Para ele ir à biqueira”). Essa fragmentação cria hesitação e ritmo entrecortado, que espelha a dúvida e a culpa do eu lírico. -
Uso de orações reduzidas
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“Recusando dinheiro / Para ele ir à biqueira” → oração reduzida de gerúndio, que funciona como justificativa da ação.
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“Ceder aos desejos do outro, / Contrariando ao meu” → oração subordinada reduzida de gerúndio, contrapondo a primeira.
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Interrogações retóricas
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“Seria melhor naquela hora?” → desloca o poema para a reflexão moral.
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A negativa seguinte (“Não creio”) funciona como resposta rápida, seca, enfatizando a posição do eu lírico.
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Comparação final
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“Seria o mesmo / Que entregar-se ao vampiro” → construção comparativa, com deslocamento da conjunção comparativa (“que”).
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Aqui a sintaxe serve ao recurso metafórico.
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🎨 Análise Estética
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Tema central
O conflito ético entre ajudar um amigo em sofrimento ou negar-lhe dinheiro por saber do destino desse recurso (o vício). O poema encena o choque entre solidariedade imediata e responsabilidade moral. -
Imagem do vampiro
A metáfora é poderosa: o amigo-viciado aparece como vampiro que precisa sugar para sobreviver, mas a entrega do eu lírico significaria sua própria perda. Essa imagem aproxima o vício de algo noturno, parasitário, incontrolável. -
Ritmo
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O poema não segue métrica fixa, mas a quebra de versos curtos cria pausas reflexivas.
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O início (“Parece, eis a percepção, / Nos últimos dias”) é quase ensaístico, mas logo se transforma em drama íntimo.
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O final (“Tentando compreender / A necessidade dele sobreviver”) fecha em tom filosófico, não conclusivo.
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Estética da indecisão
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O poema não afirma de modo peremptório; ele questiona, se interroga, deixa em aberto.
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Esteticamente, isso reforça o “em processo” do próprio título: é um poema de pensamento, não de certezas.
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✍️ Considerações finais
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Do ponto de vista sintático, o poema é construído em fragmentos propositalmente quebrados, o que traduz bem a angústia e a reflexão interrompida.
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Do ponto de vista estético, destaca-se pela força da metáfora do vampiro, que universaliza a situação e a eleva para o nível simbólico.
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O inacabamento (“Em processo”) casa com o tema: não há resposta fácil para o dilema moral de ajudar ou negar ajuda quando esta se converte em autodestruição do outro.

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