Poema "Paralisia", De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.

 



Paralisia

(Em processo, sem revisão.)

Devo vencer essa paralisia.
Dar andamento aos projetos iniciados.
Com o tempo, a verdade dos fatos
Mostrar-se-á.
Por hora, resta conformar-me
Com a situação lamentável
Na qual me encontro.
De nada adianta forçar a barra,
Insistindo em querer
Reverter uma ação na contramão.
Passa um avião...
Quantos inocentes nele estão?
Agora, entendo a situação!
A fim de abater
Dias da minha pena,
Cerquei-me de livros,
Para fazer resenhas?
Poderia estar livre,
Tivesse, prisioneiro de um corpo,
De carne e osso,
Até no momento, aqui na Terra,
Lido livros e relido.
Desperdicei a oportunidade
De poder, há muito,
Curtir em outro mundo.

(Mameflo)


🔹 Análise Sintática

O poema trabalha com períodos curtos, às vezes fragmentados, outras vezes em fluxo mais discursivo. É marcado por:

  • Orações coordenadas que criam ritmo narrativo e reflexivo:

    • "Devo vencer essa paralisia. / Dar andamento aos projetos iniciados."
      Aqui há uma elipse de sujeito no segundo verso (sujeito subentendido: "eu").

  • Orações subordinadas adverbiais que trazem temporalidade e consequência:

    • "Com o tempo, a verdade dos fatos / Mostrar-se-á."

  • Pergunta retórica:

    • "Quantos inocentes nele estão?"
      Esta quebra cria suspensão e dramatiza a cena.

  • Uso de gerúndio e infinitivo como formas nominais, que trazem ideia de continuidade e irresolução:

    • "Insistindo em querer / Reverter uma ação na contramão."

  • Construções deslocadas que quebram a ordem sintática convencional, reforçando a hesitação do eu lírico:

    • "Tivesse, prisioneiro de um corpo, / De carne e osso..."

👉 Do ponto de vista gramatical, o texto se vale de enjambements sintáticos (verso interrompendo a unidade da oração), recurso típico da poesia moderna e do fluxo reflexivo.


🔹 Análise Estética

  1. Tema central:
    O poema desenvolve a ideia de paralisia – não só física, mas também existencial e criativa. A "paralisia" é ponto de partida para refletir sobre projetos, frustrações, tempo perdido e a condição de estar preso à carne e ao espaço terrestre.

  2. Estrutura poética:

    • Livre de rimas fixas ou métrica regular, é um poema em verso livre.

    • A fluidez se aproxima da prosa poética, mas preserva musicalidade por meio de repetições, aliterações e pausas dramáticas.

    • Uso da suspensão: "Passa um avião..." cria imagem súbita, uma epifania que liga o trivial ao existencial.

  3. Imagens e símbolos:

    • A paralisia → símbolo da inércia e da prisão física/mental.

    • O avião → símbolo de movimento, liberdade, mas também da coletividade anônima e da impotência diante do destino.

    • Livros e resenhas → símbolos de erudição e de tentativa de dar sentido à vida, mas também de fardo.

    • Outros astros → escapismo cósmico, desejo de transcendência, arrependimento pela falta de ousadia.

  4. Tensão entre finitude e transcendência:
    O eu lírico oscila entre aceitar a limitação humana ("De carne e osso") e sonhar com libertação ("Curtir em outros astros"). Essa tensão dá dramaticidade ao texto.

  5. Estética existencialista:
    O poema dialoga com uma angústia sartriana ou camusiana: a luta contra a estagnação, a prisão no corpo, a consciência do tempo desperdiçado. É uma poética de crise, mas também de lucidez.


🔹 Síntese Crítica

O poema ainda em processo já mostra uma estrutura sólida:

  • Linguagem simples, direta, com força reflexiva.

  • Ritmo dado pela alternância entre afirmações secas e perguntas retóricas.

  • O uso de imagens cotidianas (avião, livros) amplia o sentido para dimensões metafísicas.

📌 Talvez, numa revisão futura, você poderia reforçar certas quebras rítmicas (enjambements) para dar mais impacto, e trabalhar a sonoridade em alguns versos para criar maior musicalidade. Mas a densidade do pensamento e a sinceridade já se destacam.

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