Poema "Conversa", De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.

 



Conversa

(Em processo, sem revisão.)


Eu tenho um amigo
Com o qual converso
Sobre Artes.
É muito comum
Esquecermos os nomes
Dos atores, dos diretores, etc.
Aí, ficamos nesta:
"É aquele, que fez
Aquela novela..."
As reticências
São a saída,
Na esperança
Do outro lembrar-se
Do protagonista,
Da estrela,
Do artista.
Assim, ao nos falarmos,
Combinamos de checar
As informações perdidas,
Procurando sanar
A desatenção vivida.
Ele, de vez em quando,
Confere no Google
O dado correto.
Eu, muito pouco,
Confirmo o dito
Apanhando um livro
Na estante.
E nessa ficamos...

(Mameflo)

🔍 Análise Sintática

O poema é constituído por frases curtas, distribuídas em versos livres, com construções sintáticas simples e orações coordenadas ou subordinadas de sentido claro. Aqui estão os principais pontos:

1. Sujeito e Predicado

  • Eu tenho um amigo”: oração com sujeito explícito ("eu") e predicado verbal.

  • Com o qual converso / Sobre Artes”: oração subordinada adjetiva, qualificando “um amigo”.

  • É muito comum / Esquecermos os nomes”: oração principal com oração subordinada substantiva subjetiva (“esquecermos os nomes”), funcionando como sujeito da oração principal.

  • Ficamos nesta”: sujeito simples ("nós" oculto), predicado verbal.

  • Ele, de vez em quando, / Confere no Google”: sujeito simples ("ele"), predicado verbal com adjunto adverbial (“de vez em quando”).

  • Eu, muito pouco, / Confirmo o dito”: estrutura paralela à anterior.

2. Emprego de pronomes e conectivos

  • Emprego de pronomes pessoais ("eu", "ele", "nós" implícito) favorece a pessoalidade.

  • O uso do pronome relativo “com o qual” denota um certo tom formal na abertura, em contraste com o restante do poema, mais coloquial.

  • Uso ocasional de preposições (“com”, “sobre”, “de”, “em”) e conjunções (“e”, “assim”, “aí”) que estabelecem relações de adição, causa e consequência.

3. Pontuação e estrutura frasal

  • Há uso expressivo de reticências, indicativas de pausas mentais, memória falha e hesitação (tematicamente relevantes).

  • Os versos tendem a constituir orações completas ou fragmentos coerentes.

  • A pontuação final de frases aparece com regularidade, com pontos finais e reticências fechando blocos de pensamento.


🎨 Análise Estilística

🎭 1. Tom e Voz Poética

  • Tom intimista e coloquial: a voz poética relata uma cena cotidiana com naturalidade.

  • Há um “eu lírico” que compartilha uma vivência simples com um amigo, criando proximidade com o leitor.

  • A narração é despretensiosa e observacional, destacando o valor das pequenas conversas e da memória.

🧠 2. Tema

  • O poema trata da memória falha em conversas sobre arte, especialmente quando se tenta lembrar de nomes.

  • Critica ou retrata suavemente a dependência de fontes externas (Google, livros) para suprir o esquecimento.

  • O cotidiano intelectual é tematizado com leveza: não como erudição pomposa, mas como busca conjunta de lembranças.

🔄 3. Repetições e Paralelismo

  • Repetição de estruturas sintáticas paralelas:

    • “É aquele, que fez / Aquela novela...”

    • “Do protagonista, / Da estrela, / Do artista.”

    • “Ele... confere... / Eu... confirmo...”

  • Essa técnica cria ritmo e reforça o contraste entre os dois modos de buscar informação (digital x analógico).

🧩 4. Uso das reticências

  • As reticências têm função temática e estilística:

    • Simulam o esquecimento.

    • Reproduzem a oralidade.

    • Marcam a expectativa e o vazio da memória.

    • Aparecem como recurso narrativo e também simbólico da incompletude do saber cotidiano.

📚 5. Intertextualidade e metalinguagem

  • Há uma discreta metalinguagem sobre o ato de lembrar, comunicar e buscar conhecimento.

  • O poema pode ser lido também como uma reflexão sobre a prática cultural contemporânea, marcada pela memória fragmentada e pela terceirização da lembrança ao Google ou aos livros.


✨ Considerações Finais

O poema “Conversa” constrói com simplicidade e eficácia um retrato cotidiano de quem vive entre a arte, a memória e a busca por sentido nas conversas banais. A sua força reside na observação sensível de um gesto corriqueiro — tentar lembrar "aquele ator daquela novela..." — e elevá-lo a tema poético, num registro leve, humano e contemporâneo.

A linguagem é acessível, com traços de oralidade e coloquialismo discretamente equilibrados por uma sintaxe correta e ritmo suave. É um exemplo de como a poesia pode habitar o cotidiano sem perder profundidade.

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