Poemas "Babacas" e "5/08/2025", De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.
🔍 Análise Sintática
O poema é escrito em linguagem simples, direta, de frases curtas e estrutura predominantemente paratática (pouca subordinação). Isso cria um ritmo coloquial e fragmentado que remete à fala espontânea, ao fluxo de pensamento.
1ª estrofe:
Tem uns babacas / Que não sabem de nada.
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Sujeito: "uns babacas"
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Predicado: "tem" (forma impessoal do verbo "haver", com sentido de "existem")
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O pronome relativo "que" inicia uma oração adjetiva restritiva: "que não sabem de nada", caracterizando "os babacas".
Eu falei de Ciambra / E ele nem se ligou: / Disse que eu era fascista.
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Oração coordenada: "Eu falei de Ciambra"
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"E ele nem se ligou": oração coordenada aditiva, com mudança de sujeito ("ele")
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"Disse que eu era fascista": oração subordinada substantiva objetiva direta (oração completiva do verbo "disse")
2ª estrofe:
E eu só queria / Tomar uma dose de uísque.
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Estrutura com elipse de sujeito no segundo verso (o sujeito permanece "eu")
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"Queria tomar" = locução verbal com verbo principal "tomar"
No bar dos velhos contentes / Serei morto vivo / Tão somente.
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"Serei morto vivo": construção paradoxal (oxímoro)
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Adjuntos adverbiais: "No bar dos velhos contentes", "tão somente"
3ª estrofe:
Tudo é muito efêmero, / Igual à moça / Dobrando a esquina.
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Predicação verbal simples: "Tudo é efêmero"
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Comparação com estrutura reduzida ("igual à moça dobrando a esquina"): oração reduzida de gerúndio ("dobrando")
O dono do bar / É o mais solitário.
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Predicado nominal com superlativo ("o mais solitário")
Assiste a uma TV de tubo, / Com o volume reduzido.
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Verbo transitivo indireto: "assiste a uma TV"
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"Com o volume reduzido": adjunto adverbial de modo
Suas divagações mudas / São bem nítidas, / Iguais aos risos / Do Gato de Alice.
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Oração principal: "Suas divagações mudas são bem nítidas"
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Complemento comparativo: "iguais aos risos do Gato de Alice"
🧠 Análise Estilística
Título: "Babacas"
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Palavra de forte conotação pejorativa, coloquial, direta, provocadora.
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Já cria um campo semântico de desprezo ou incompreensão mútua.
1. Tom e Voz Poética
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TOM: irônico, desiludido, melancólico.
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A voz poética é reflexiva, observadora, deslocada do mundo ao seu redor, talvez ressentida.
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Há uma tensão entre a simplicidade do cotidiano (o bar, a TV, o uísque) e a profundidade filosófica que emerge nas comparações (o efêmero, a solidão, Alice).
2. Recursos Estilísticos
➤ Coloquialismo e oralidade:
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“Tem uns babacas”, “nem se ligou”, “só queria tomar uma dose de uísque” — linguagem informal, próxima da fala urbana.
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Marca estilística forte, que aproxima o leitor de uma atmosfera de conversa de boteco, com tons de crítica social e existencialismo.
➤ Ironia e Crítica:
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“Disse que eu era fascista” – exemplo de mal-entendido político/social típico da polarização contemporânea, tratado de forma irônica.
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Há crítica à superficialidade das interpretações e ao julgamento raso.
➤ Imagens poéticas:
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“No bar dos velhos contentes / Serei morto vivo”: metáfora que une o cotidiano com o trágico.
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“Tudo é muito efêmero, / Igual à moça / Dobrando a esquina”: imagem fugaz e cinematográfica, bela em sua brevidade.
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“Os risos / Do Gato de Alice”: alusão literária (Lewis Carroll), sugerindo mistério, ambiguidade, ou a presença do absurdo no cotidiano.
➤ Antítese e Oxímoro:
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“Morto vivo” – combina opostos para expressar o sentimento de alienação.
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“Divagações mudas são bem nítidas” – combinação paradoxal que acentua a poeticidade.
3. Estrutura e Forma
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Versos livres, sem métrica ou rima fixa.
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Estrofação irregular, que contribui para o caráter reflexivo e fluido do poema.
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Há uma unidade temática: o desalento urbano, a incompreensão, a efemeridade das relações e das coisas.
🎯 Conclusão Crítica
O poema Babacas, ainda em processo, já apresenta uma estrutura bem definida de tom e estilo. Sua força está na combinação entre a linguagem coloquial e imagens poéticas ricas em contraste e simbolismo. Ele funciona como um quadro existencial urbano, onde a figura do poeta é um observador marginal, quase invisível, que ironiza a alienação cultural e sente a fugacidade da vida nos pequenos gestos e objetos: um bar, um copo de uísque, uma TV de tubo, uma esquina, um gato imaginário.
Há ecos de Bukowski, de Rubem Fonseca, da poesia marginal dos anos 70 e da lírica urbana contemporânea. É um poema que conversa com o presente, mas com profundidade filosófica e estética.
5/08/2025
(Em processo, sem revisão.)
Hoje fiz algo
Planejado por anos:
Fui jogar tênis de mesa
No Sesc Vila Mariana.
Parece pouco,
E, mesmo não tendo,
Largado velhos hábitos,
Senti-me realizado.
Tinha a necessidade
De adquirir novos modos.
Sair de casa,
Tentar algo irreverente,
Quebrar a rotina,
Ativar a mente.
Quero repetir o feito
Um ano inteiro,
Sabendo que,
No segundo dia,
Tudo será diferente.
Mameflo
🔍 Análise Sintática
Este poema apresenta uma estrutura sintática relativamente simples, com períodos curtos e encadeamentos coordenados ou com subordinação mínima. O estilo direto e cotidiano contribui para a expressividade.
1ª estrofe:
Hoje fiz algo / Planejado por anos:
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Sujeito: oculto (eu)
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Verbo principal: “fiz”
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Complemento direto: “algo”
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Oração adjetiva reduzida de particípio: “planejado por anos”, qualificando "algo"
Fui jogar tênis de mesa / No Sesc Vila Mariana.
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Locução verbal: “fui jogar”
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Complemento verbal: “tênis de mesa”
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Adjunto adverbial de lugar: “No Sesc Vila Mariana”
2ª estrofe:
Parece pouco,
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Sujeito oculto (“isso”, retomando o fato anterior)
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Verbo de ligação: “parece”
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Predicativo: “pouco”
E, mesmo não tendo / Largado velhos hábitos, / Senti-me realizado.
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Oração subordinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio: “mesmo não tendo largado velhos hábitos”
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Oração principal: “Senti-me realizado” (verbo pronominal reflexivo)
3ª estrofe:
Tinha a necessidade / De adquirir novos hábitos.
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Sujeito: oculto (eu)
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Verbo: “tinha”
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Complemento direto: “a necessidade”
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Complemento nominal: “de adquirir novos modos” (oração reduzida de infinitivo)
Sair de casa, / Tentar algo irreverente, / Quebrar a rotina, / Ativar a mente.
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Frases nominais / construções elípticas, sem verbo explícito
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Funcionam como enumeração de metas ou desejos
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Verbos no infinitivo, ligados a "novos modos"
4ª estrofe:
Quero repetir o feito / Um ano inteiro,
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Sujeito: “eu” (oculto)
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Verbo principal: “quero”
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Complemento: “repetir o feito”
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Adjunto adverbial de tempo: “um ano inteiro”
Sabendo que, / No segundo dia, / Tudo será diferente.
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Oração subordinada adverbial causal reduzida de gerúndio: “sabendo que…”
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Oração subordinada completiva: “que tudo será diferente”
🧠 Análise Estilística
Título: "5/08/2025"
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Indica uma data específica, como em um diário íntimo ou memória pessoal.
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Sugere que o poema é a transcrição poética de um acontecimento real, pequeno, mas significativo.
1. Tom e Voz Poética
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TOM: introspectivo, cotidiano, esperançoso, com leveza e consciência de seus próprios limites.
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A voz poética é reflexiva, descrevendo um gesto simples — sair para jogar tênis de mesa — como um marco de transformação íntima e lenta.
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Há também um senso de realismo melancólico: mesmo desejando uma mudança contínua, reconhece que "tudo será diferente" logo no segundo dia.
2. Recursos Estilísticos
➤ Coloquialidade e simplicidade:
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Linguagem direta, quase confessional, sem ornamentos: “Hoje fiz algo”, “Fui jogar tênis de mesa”.
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Uso de locais concretos (“Sesc Vila Mariana”) fortalece o realismo e o aspecto documental.
➤ Paralelismo e enumeração:
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Em:
“Sair de casa,Tentar algo irreverente,Quebrar a rotina,Ativar a mente.”Há uma sequência de verbos no infinitivo que funciona como mantra de autoajuda realista, representando o esforço interno de mudança de hábitos.
➤ Contraste interno (tensão existencial):
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“Mesmo não tendo largado velhos hábitos, senti-me realizado.”→ Mostra que a conquista não depende da transformação total, mas de um movimento de tentativa.
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“Quero repetir o feito... sabendo que tudo será diferente” → Há uma tensão entre desejo de constância e consciência da inconstância humana.
➤ Economia e clareza:
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O poema não abusa da metáfora nem de figuras de linguagem elaboradas.
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A expressividade se dá pela sinceridade do relato e pela estrutura ritmada.
3. Estrutura e Forma
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Versos livres, sem métrica regular.
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Quebra de versos usada para marcar pausas reflexivas, como em:
“Sabendo que,No segundo dia,Tudo será diferente.” -
Estrofes organizadas de forma gradual: da ação concreta à elaboração emocional e ao desejo futuro.
🎯 Conclusão Crítica
“5/08/2025” é um poema que fala da importância dos pequenos gestos na reinvenção pessoal. É uma ode discreta à superação das rotinas mentais e sociais. Não há heroísmo, não há espetáculo — há uma tentativa serena e singela de encontrar, na prática de um esporte simples, uma chave para sair da estagnação.
A beleza está no cotidiano, na escolha de agir mesmo diante da dúvida e da reincidência dos velhos hábitos. É um poema maduro, realista e otimista sem ingenuidade — traço recorrente na sua poética.


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