O Animador de Velórios. Conto de Maurício Menossi Flores e Inteligência Artificial.


Ele era um profissional fora do comum: vivia de animar velórios contando histórias de fantasma. Mas houve um dia, e sempre tem um dia, em que a coisa desandou. Resolveu, sabe-se lá o porquê, contar uma história na qual o morto presente era invocado. Houve aqueles que se revoltaram e expulsaram-no do velório. Foi embora bastante contrariado com a situação. Mas as sequelas ficaram: os parentes e amigos do defunto começaram a ter suas mentes invadidas por pensamentos obscuros. Parecia que demônios apossavam-se deles. Crie um conto a partir desse fragmento de sonho.

O ChatGPT disse:

Claro. Vou transformar esse fragmento em um conto completo, mantendo o clima onírico, sombrio e com uma tensão crescente — como se fosse algo entre o real e o sobrenatural.


O Animador de Velórios.

Diziam que ninguém sabia contar histórias como seu Lázaro. Não era um contador qualquer: ele tinha o dom de encher de vida o momento mais silencioso e pesado de todos — o velório. Com voz grave, pausada, e um sorriso que se insinuava mesmo ao falar das coisas mais terríveis, ele conseguia fazer os presentes esquecerem, por instantes, a morte diante deles.

Era um artista da morbidez. Um profissional raro. Chamavam-no não para festas, mas para despedidas. E ele nunca errava o tom — até aquele dia.

O caixão estava no centro da pequena sala da funerária, rodeado de coroas de flores já meio murchas. O ar tinha o peso de um pano molhado. Os familiares permaneciam imóveis, apenas o som de um ventilador velho quebrava o silêncio. Lázaro chegou, ajeitou o paletó, e começou sua história.

No início, tudo parecia igual. Mas, em certo momento, seus olhos escureceram. Ele baixou o tom de voz e anunciou:

— Hoje… vamos ouvir o próprio morto.

Houve um murmúrio, mas ele prosseguiu. Descreveu, com minúcia perturbadora, o momento exato da morte, a sensação de afundar no vazio, o peso nos pulmões, o frio nos ossos. Falou como se estivesse dentro da pele do falecido — e, pior, como se este falasse através dele.

— E agora, eu o chamo… para que volte e fale com vocês.

Um estalo seco veio do canto da sala. Talvez madeira, talvez outra coisa. Algumas pessoas se entreolharam, nervosas. A viúva se levantou, pálida, e gritou:

— Chega! Saia daqui!

A família se agitou. Dois homens o pegaram pelo braço e o empurraram para fora. Ele saiu murmurando impropérios, jurando que ainda iriam se arrepender.

Naquela noite, o ar na casa da viúva ficou pesado. Ela começou a sonhar com o morto, que aparecia sentado na beira da cama, os olhos fundos, mas não dizia nada. Outros parentes relataram o mesmo. Logo vieram pensamentos sombrios, súbitos impulsos violentos, rancores antigos ressurgindo como feridas abertas.

Os mais religiosos falavam em possessão. Os mais céticos, em histeria coletiva. Mas todos concordavam: desde o dia em que Lázaro tentara falar pelo morto, algo se infiltrara naquelas vidas. Uma presença fria, que respirava no cangote e sussurrava pensamentos que não eram seus.

O tempo passou. Alguns morreram, outros enlouqueceram. E ninguém mais ousou contratar animadores para velórios.

Exceto uma família, anos depois, que perdeu um patriarca. Entre as coroas de flores, no canto da sala, um homem de paletó, magro e sorridente, aguardava o momento de começar a falar.

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