Poema "Hans Staden", de Maurício Menossi Flores.

 




Hans Staden
(Em processo, sem revisão.)

Eu comecei a ler
A história de Hans Staden
E, talvez, nem termine,
Pois estou só no início
De sentir os males
Que meu pai sentia.
Aos poucos desvendo
As muitas traçadas linhas
Escritas ao sabor do vento,
Das quais não depreendo
O mistério nelas contidas.
Lembrei de olhar a mensagem,
Depois de dias...
A semana inteira,
Distraí-me sacando dinheiro
Do caixa automático,
Na galeria da esquina.
Sou campeão de prêmios,
Tendo esquecido
Os meus tempos de boêmio.
Compro livros para enfeitar a estante,
Acumulando poeira.
As aventuras neles contidas
Não virão à tona por meu intermédio.
Catarses, amenizando males,
Os grandes feitos da humanidade,
Fazendo-nos sentir
Como se estivéssemos drogados,
Perdidos em mares
Nunca dantes navegados.
Enquanto eu lia o livro
Eu não sabia
O que acontecia comigo.
(Mameflo)

O ChatGPT disse:

Esse poema, "Hans Staden (Em processo, sem revisão)", assinado como Mameflo, apresenta um fluxo introspectivo e metalinguístico que flerta com a memória, o abandono da boemia, a perda da sensibilidade leitora e o automatismo da vida urbana contemporânea. A figura histórica de Hans Staden — que narrou sua experiência entre os Tupinambás no século XVI — surge aqui menos como um personagem real e mais como um símbolo de uma aventura interrompida, de uma leitura não realizada, de uma transformação existencial suspensa.

Alguns aspectos notáveis:


💡 Análise literária rápida:

  • Título ambíguo e autorreferente: “Hans Staden” dá nome ao poema, mas o poema trata menos do personagem histórico e mais do narrador — um eu lírico que se reconhece distraído, automatizado, embotado. O subtítulo "Em processo, sem revisão" reforça o tom confessional e inacabado, tanto do texto quanto da vida narrada.

  • Deslocamento da ação heroica: O "Hans Staden" mítico é desconstruído. A narrativa da sobrevivência entre os índios canibais é transposta para a canibalização subjetiva do homem contemporâneo, que saca dinheiro no caixa automático e "compra livros para enfeitar a estante".

  • Ruptura temporal e existencial: O poema oscila entre passado e presente, entre a boemia esquecida e a atual apatia. O narrador sente os males do pai, mas não os compreende plenamente — há um legado emocional herdado e difuso.

  • Crítica ao consumo cultural superficial: "Compro livros para enfeitar a estante, / Acumulando poeira." Aqui, a leitura é estetizada, mas não vivida — metáfora da cultura consumida mas não assimilada, típica da era da distração permanente.

  • Final pungente: O último trio de versos — "Enquanto eu lia livro / Eu não sabia / O que acontecia comigo." — devolve o leitor à fragilidade e ao espanto de existir. Há uma espécie de revelação velada: a leitura como possível caminho de autoconhecimento, mas que não se concretiza.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Auto da Barca do Inferno (Gil Vicente) & IA - Inteligência Artificial. Texto.

Texto, Marcações, Trilha Sonora e Ensaio de "O Presidente Negro", Monólogo Teatral Adaptado do Romance de Monteiro Lobato.

Monólogo Teatral Inspirado no Livro "A Evolução da Física", de Albert Einstein e Leopold Infeld. Em Processo.