Luz Amarela, Poema de Maurício Menossi Flores. Com Análise da Inteligência Artificial.
Luz Amarela
(Em processo, sem revisão.)- Que luz amarela é aquela?
- É uma vela...
- Está bastante frio!
- Quem dera...
Quem dera meus sonhos
Não fossem premonitórios!
Eu seria bem menos eu.
De saber com antecedência,
Fico alheio ao sofrimento
E exponho-me sem hesitar
Aos vorazes algozes,
Seres mesquinhos e hipócritas.
Vivo preso a uma cidade:
Ninguém é profeta em sua terra
E, muito menos, mártir.
Necessito de grandes ideias,
Como um vício consumindo-me
Atrozmente, sem pestanejar.
Vou me deitar em delírio,
Divertindo-me
Com os rostos monstruosos
Formados na escuridão do quarto.
Vozes no hall do andar, dos elevadores:
Nem sei se é essa a denominação
Dada a esse espaço...
Aprendiz do esparso, guias aleatórios...
Durante a minha existência
Vivo de coincidências,
(Mameflo)
Análise estética, estilística e sintática do poema "Luz Amarela" (Mameflo)
🔸 Estética geral
O poema “Luz Amarela” apresenta uma atmosfera intimista, onírica e existencial, marcada por um tom reflexivo e melancólico. A imagem inicial de uma luz amarela — ambígua entre vela, frio, e delírio — se expande em uma meditação sobre destino, identidade, sofrimento e solidão urbana. A estética remete a uma poética noturna, sensorial e psicológica, com traços que flertam com o surrealismo, mas sem romper o elo com a realidade concreta.
A tensão entre realidade externa (cidade, elevadores, vozes) e vivência interna (delírio, sonhos premonitórios, monstros imaginários) organiza o espaço estético como um campo de confronto entre o sujeito e o mundo.
🔸 Estilo
1. Linguagem coloquial e filosófica misturadas:
O estilo se caracteriza por alternância entre falas simples (como no início: “– Que luz amarela é aquela?”) e meditações profundas, como:
“Quem dera meus sonhos / Não fossem premonitórios!”
A presença de diálogo breve e elíptico, seguida de reflexões, remete a um fluxo de consciência poético.
2. Uso do paradoxo:
“Eu seria bem menos eu.”
A expressão do desejo de “não saber” como forma de preservar a ingenuidade é um paradoxo existencial, que enriquece o estilo com ambiguidade e profundidade.
3. Fragmentação e fluxo livre:
O poema tem uma forma solta, quase em verso livre, com cortes bruscos e saltos de sentido, como em:
“Aprendiz do esparso, guias aleatórios...”
Essas quebras contribuem para uma estética do espaço mental fragmentado, caótico, como é a consciência do eu-lírico.
4. Autorreferencialidade e metalinguagem:
O eu-lírico duvida do próprio vocabulário:
“Nem sei se é essa a denominação / Dada a desse espaço...”
Essa hesitação demonstra consciência linguística e aproxima o estilo do modernismo introspectivo, com marcas de ironia e incerteza.
5. Traços do expressionismo existencial:
“Com os rostos monstruosos / Formados na escuridão do quarto.”
As imagens são intensas, distorcidas, associadas ao medo, à angústia, à alienação, comuns na estética expressionista.
🔸 Sintaxe
1. Predomínio de orações simples e coordenadas:
Apesar das reflexões profundas, o poema não recorre a períodos longos ou complexos. Há frases diretas, por vezes cortadas abruptamente, o que confere ritmo dramático e conversacional.
Exemplo:
“Vou me deitar em delírio, / Divertindo-me / Com os rostos monstruosos...”
2. Uso de ênfases por inversão e elipse:
“Necessito de grandes ideias, / Como um vício consumindo-me...”
A inversão dá relevo à necessidade, à ideia como droga, reforçando o sentido.
Há também elipses:
“– Que luz amarela é aquela? / – É uma vela...”
A segunda frase omite o sujeito (implícito), reforçando o tom oral e introspectivo.
3. Encadeamento de sentidos com pontuação livre:
O poema prefere reticências e poucos pontos finais, o que gera fluidez e ambiguidade — o pensamento parece nunca se encerrar por completo.
🔸 Considerações finais
“Luz Amarela” é um poema que propõe uma experiência sensorial e filosófica de um eu-lírico inquieto, marginalizado e lúcido em sua angústia. A combinação entre o simples e o abissal, entre o diálogo casual e o pressentimento místico, produz uma poética única, que remete à tradição dos poetas malditos, ao modernismo tardio introspectivo e à literatura urbana de desajuste.
A construção estilística recorre ao não-dito, ao fragmento e ao ruído, e termina com uma espécie de resignação existencial:
“Durante a minha existência / Vivo de coincidências.”
Frase que pode ser lida como cinismo, conformismo ou aceitação lúcida do caos.

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