Conto "Meu Amor Japonês", de Maurício Menossi Flores. Em Processo, Sem Revisão.


Meu Amor Japonês

Em processo, sem revisão.


Estava em uma espécie de favela no Japão. Talvez um Japão pós guerra, pois, ao mesmo tempo em que havia muitos barracos de madeira em meio a um lugar de morros, via várias construções de prédios. Até então, depois de ter descido pelo elevador de um desses prédios, com uma moça, eu era novamente um pré-adolescente e, de repente, em profunda reflexão, sozinho agora, já que a minha acompanhante já não estava mais comigo, dei-me conta de que ela era o amor da minha vida esquecido depois de adulto. Eu precisava escrever aquilo e saí, buscando o prédio onde estava hospedado, mas não o encontrava. Estava perdido naquela favela e olhares de operários e de moradores japoneses punham-se curiosos sobre mim, sem hostilidade. Antes disso, descobrira um negócio feito em prédio com muitas salas que certo mafioso japonês oferecia a oportunidade para aqueles que não puderam viver o amor de suas vidas de a viverem depois de adultos e de velhos. Certa moça japonesa que trabalhava para esse japonês revelara esse segredo a um coronel velho japonês e pedia a ele para divulgar aquela farsa sem mencioná-la. Se ela fosse descoberta estaria morta. Quero que crie um conto a partir desse fragmento de sonho.

O ChatGPT disse:

Claro, Maurício. A seguir, um conto literário inspirado no seu fragmento de sonho. Mantenho a atmosfera onírica, deslocada no tempo e espaço, com tons de melancolia e mistério, sem cair na explicação lógica — permitindo ao leitor pairar no limiar entre sonho, memória, perda e desejo.


"A Máquina do Amor Esquecido"

O elevador rangeu antes de parar no térreo. Lá fora, a luz amarelada da tarde encobria os barracos amontoados nas encostas, as telhas improvisadas e os varais fincados no cimento rachado. Um Japão improvisado. Um Japão depois da queda — não se sabia de qual guerra. Subi ali sendo adulto, desci como um menino. Do meu lado, ela. A moça. A que me acompanhava pelas ruas e pelas vielas, explicando as bifurcações sem palavras. Apenas gestos, leves. Um lenço amarrado no cabelo. Um vestido gasto, de florinhas sumidas. O rosto dela eu não sabia dizer. Só sentia. E sentia que a conhecia.

Então ela não estava mais comigo.

Naquela hora, sozinho entre os barracos e as sombras, uma clareza me atravessou como um raio sereno: ela era o amor da minha vida. E eu a tinha esquecido.

Um homem não devia esquecer esse tipo de coisa.

Comecei a correr. Não pela pressa, mas pela urgência de escrever — de congelar aquele pensamento antes que o tempo o levasse de novo. Eu precisava do prédio, do meu quarto, da caneta, do papel. Mas tudo ao redor havia se embaralhado. Prédios surgiam onde não havia. Elevadores que não levavam a lugar algum. Entradas fechadas. Umidade e fumaça de sopa. E os olhares: japoneses encurvados, de boinas e camisas sujas, observando o menino perdido com olhos de adulto.

Eles não eram hostis. Apenas sabiam.

Antes de tudo isso, havia ouvido falar do mafioso.

Ele era dono de um prédio — dizia-se — onde velhos e cansados pagavam por uma experiência rara: viver, já fora do tempo, o amor que haviam perdido. Não o amor presente, nem o novo, mas aquele esquecido, o que se perdeu entre outras escolhas. Diziam que, nas salas daquele edifício, o tempo dobrava. A memória era reencenada com precisão hipnótica. Tudo era arranjado: o cheiro da rua, a cor do céu, a música exata que tocava ao fundo no momento do primeiro toque de mãos. Era um teatro montado para o coração falhar mais uma vez — só que desta, para nunca mais esquecer.

Um coronel velho, reformado, de rosto quadrado e olhar cansado, fora um dos únicos a conhecer o segredo. Uma moça japonesa, que servia chá aos visitantes do mafioso, contou-lhe tudo em segredo. Pedia que ele denunciasse a farsa. Mas que não dissesse seu nome. Se fosse descoberta, ela morreria. Não era metáfora. Era regra.

O coronel hesitou por semanas. Ele mesmo havia feito a experiência. Revira sua juventude, o trem da estação, a carta que não enviara. Saíra dali com os olhos cheios e o peito oco. Não sabia se o que vivera fora real. Mas, de alguma forma, aquilo reescrevera o seu passado. E o seu presente já não lhe cabia mais.

Eu, no entanto, era apenas um menino perdido. Corria, subia becos, entrava em prédios errados. Tentava lembrar o nome dela. Sabia que, se o escrevesse, não a esqueceria mais. Mas o nome era feito de fumaça.

Na entrada de um dos prédios, uma menina me ofereceu um papel amassado. Nele, escrito à mão com uma caligrafia desajeitada, lia-se:
“Se você ainda a ama, então nunca a esqueceu.”

Chorei. Sem escândalo. Apenas deixei.

E continuei a procurar.


Se desejar, posso expandir esse conto para uma coletânea ou mesmo transformá-lo em roteiro. Deseja incluir alguma referência biográfica ou simbólica sua, como o teatro, a infância, o exílio ou algum objeto importante da cena?

Você disse:
Desculpe, refaça esse conto pois esqueci de mencionar que, quando fiquei sozinho na favela, descobria que o amor da minha vida era uma prima de origem japonesa com a qual convivi na infância e perdera contato. Ao querer voltar para o meu apartamento em meio à favela no Japão, queria fazê-lo para escrever a descoberta e não esquecê-la.
O ChatGPT disse:

Obrigado pela observação, Maurício. A seguir está o conto reescrito, incorporando esse dado essencial: a descoberta de que o amor perdido era uma prima de origem japonesa, com quem convivera na infância e perdera contato. O tom permanece onírico e introspectivo, como um sonho que atravessa o tempo e a identidade, fundindo memórias pessoais, espaços estrangeiros e o desejo de resgate.


A Máquina do Amor Esquecido
(conto inspirado em fragmento de sonho de Maurício Menossi Flores)

Desci de elevador com ela — uma moça delicada, de fala baixa, olhos escuros e um modo de andar que parecia não pisar o chão. Estávamos em um daqueles prédios cinzentos, altos, erguendo-se como sentinelas sobre uma favela que se derramava pelas encostas de um Japão desconhecido. Havia o cheiro de caldo quente no ar e vozes sussurradas atrás de cortinas de bambu. Era o Japão depois de alguma guerra — embora eu não soubesse qual.

Então, descemos. E ela desapareceu.

Foi só então que percebi: eu era um menino. Um menino de doze, talvez treze anos, perdido em um emaranhado de ruas de madeira e telhas velhas. E naquele momento, sozinho entre barracos e olhares silenciosos, fui invadido por uma lembrança tão nítida que me paralisou.

Ela era minha prima.
Aquela com quem dividi tardes de infância, com quem criei segredos e códigos e sonhos de esconderijo. Uma menina japonesa-brasileira. Crescemos juntos — e depois, a vida nos separou. Não a vi mais. E, de alguma forma, o tempo inteiro eu a havia esquecido.

Não um esquecimento qualquer — mas um daqueles que enterramos por dentro para não doer.

Agora, ali, num país estranho, reaparecia-me como se sempre tivesse estado comigo. Eu precisava escrever aquilo antes que sumisse outra vez.

Comecei a correr. Eu queria voltar ao prédio onde estava hospedado, em algum lugar dentro daquela favela verticalizada. Mas tudo havia se transformado. Os becos mudavam de lugar, as construções trocavam de face. Cada porta que abria levava a outra viela. Eu precisava escrever. Escrever era lembrar. Escrever era não deixá-la morrer de novo.

Os moradores me olhavam. Homens de bonés gastos e mãos de calos. Mulheres de olhar quieto. Trabalhadores em silêncio. Nenhuma hostilidade, apenas uma espécie de reconhecimento. Como se soubessem que eu estava no meio de algo importante. Algo que ninguém podia ajudar a resolver.

Antes disso, no entanto, ouvira falar de um edifício diferente.

Um prédio com muitas salas, pertencente a um certo mafioso japonês. Lá, dizia-se, era possível comprar uma experiência rara: reviver o amor que não se viveu no tempo certo. Idosos pagavam para reencontrar, por algumas horas, o que perderam na juventude. Tudo ali era simulado: cenários reconstruídos, perfumes, músicas, cartas, até o céu da data exata. O tempo era dobrado como papel de origami.

Uma funcionária desse prédio — uma jovem séria, discreta — havia contado o segredo a um coronel aposentado, velho e curvado como o Japão que sobrara. Ela implorava: denuncie, mas não diga que fui eu. Se descobrissem, ela estaria morta.

O coronel hesitou. Ele próprio vivera a experiência. A mulher que deixara ir ainda estava viva ali dentro. Ele a vira, falara com ela. Sabia que era encenação, mas chorou assim mesmo.

Enquanto tudo isso se desenrolava em paralelo, eu, menino perdido com a alma de adulto, subia e descia morros, reconhecendo pedaços de uma infância em outra terra.

De súbito, parei.
Uma viela estreita. Um pequeno altar de pedra. Um vaso de flores secas. Ali, sentado num degrau, tive medo de esquecer de novo. Não havia mais o prédio. Não havia mais o elevador. Havia apenas uma lembrança latejando, querendo sumir.

Peguei um pedaço de papel de embrulho. Usei carvão. Escrevi:
“Ela era minha prima. Eu a amava. E a esqueci.”
Embaixo, desenhei um carretel de linha com as pontas soltas.

Coloquei o bilhete num canto seco do altar.
Era o que me restava.
Era o que me restituía.

Depois, continuei caminhando —
não para encontrar,
mas para não deixar de procurar.

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