Cinco Novos Poemas de Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.
Os cinco poemas de Mameflo, todos identificados como "em processo, sem revisão", revelam uma escrita marcada por uma dicção introspectiva, um eu lírico reflexivo, e uma busca por linguagem essencial. Estilisticamente, a poética é sóbria, antirretórica, com ênfase em observações existenciais, teatrais e metalinguísticas, em consonância com uma estética do Teatro Pobre e do homem comum. A seguir, analiso os poemas do ponto de vista estilístico e sintático.
🔹1. "Postura"
Estilisticamente:
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O poema tem um caráter performativo e descritivo, inspirado diretamente na prática teatral — talvez remeta à postura da montanha do yoga ou a um aquecimento corporal.
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A linguagem é minimalista, objetiva, com frases nominais ou orações simples.
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A ausência de afetação e o olhar técnico indicam neutralidade expressiva, uma suspensão do ego e valorização da presença cênica.
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O eu lírico dissolve-se na ação performativa, fundindo-se com o corpo e o espaço.
Sintaticamente:
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A estrutura sintática é paratática, com muitos termos coordenados (ex: "Ereto, / Braços estendidos... / Os ombros relaxados").
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Predominância de orações reduzidas de particípio e infinitivo: “Repassando...”, “Sendo mais um...”
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Há inversões sutis e elipses ("Por dez ou vinte minutos, assim:" — omite-se o verbo principal).
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A última linha é um paradoxo sintático-semântico: “Sendo mais um, sendo único.”
🔹2. "Deixar Passar"
Estilisticamente:
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O poema se constrói como reflexão crítica sobre a fruição teatral.
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Aparece uma tensão entre o ato de se afetar e o ato de observar com distanciamento, ou seja, há um convite à receptividade crítica e autoimplicada, não apenas catártica.
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Estilo ensaiístico disfarçado de poema, com linguagem técnica e introspectiva.
Sintaticamente:
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A construção é feita com orações subordinadas adverbiais, sugerindo sequência lógica e raciocínio ("Ao assistir..."; "Sem deixar de existir").
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As frases são longas, mas o uso de enjambements e quebras abruptas dá ritmo reflexivo ao texto.
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Repetições e anáforas reforçam a circularidade (“Ver...”, “No alheio...”, “No seu...”, “Percebendo-se…”).
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O uso de gerúndios encadeados confere fluidez: “Percebendo-se, / Descobrindo...”
🔹3. "Conteúdo"
Estilisticamente:
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O poema é o mais curto e funciona como metaquestionamento da própria linguagem e poética.
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A pergunta central gira em torno da possibilidade de comunicar-se sem se expor, sem tornar o texto autobiográfico — questionamento ético-estético.
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É um poema do silêncio e da retenção, que lembra certos textos de João Cabral de Melo Neto ou Wislawa Szymborska.
Sintaticamente:
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Predominam orações interrogativas indiretas e construções hipotéticas: “Qual conteúdo tornar comum... como se escrevesse...”
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Uso de orações adjetivas e oração condicional no final.
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Há suspensão do verbo principal (“Como se escrevesse certo conto...”) que só se completa no último verso — técnica de encadeamento sintático.
🔹4. "Após o Espetáculo Teatral"
Estilisticamente:
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Aqui temos o poeta-personagem em um quadro narrativo estático, à maneira de uma crônica existencial.
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Ironia e distanciamento se misturam a um humor melancólico: “É chique!”, diz ele, ao revisar o próprio texto diante de uma lata de cerveja.
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Elementos da vida contemporânea — como “Inteligência Artificial” — surgem em contraste com a solidão do artista.
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Forte tom visual, quase cinematográfico — lembra o teatro de Beckett em atmosfera.
Sintaticamente:
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Alternância entre orações curtas, descritivas e construções mais subjetivas.
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Presença de verbos no infinitivo substantivado: “Admirar...”, “Fazer…”.
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A estruturação parece imitar uma lista de ações mentais, sem conexão causal clara, como numa memória.
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A frase “A sombra na parede das costas, / Sempre o acompanha,” é uma inversão poética da ordem direta (seria: “A sombra que está na parede atrás dele o acompanha”).
🔹5. "Projetos"
Estilisticamente:
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Mistura de tom íntimo e político, indo da sensação de prazer com o trabalho à crítica social e cultural.
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Poema de denúncia existencial, com linguagem áspera, mas ainda contenida e contemplativa.
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Aparece a crítica à falsa crítica — a inversão do sentido das obras (ex: Policarpo Quaresma confundido com Lobato) como sinal do mundo invertido.
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Final provocador e ambíguo: “Militares são só civis fardados.”
Sintaticamente:
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Uso de orações subordinadas causais, concessivas e consecutivas (“que ficarão inacabados”, “deixam-no feliz”).
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Frases interrompidas por travessões mentais, que simulam pensamento descontínuo.
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Uso de enumerações (“os projetos iniciados / que ficarão inacabados...”), de maneira quase burocrática.
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O verbo “constatar” se repete em formas diferentes, como marca de tomada de consciência (“constatando...”, “faz ele constatar…”).
🔸Conclusão Geral
Estilisticamente, os poemas:
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Revelam uma poética ensaística, com viés autobiográfico discreto, metalinguístico, muitas vezes autoirônico, reflexivo e performativo.
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Dialogam com o universo do teatro e da arte como existência.
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Constróem imagens não pela metáfora, mas pela descrição direta do gesto, da presença, da percepção.
Sintaticamente, os textos:
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Utilizam estruturas predominantemente simples, coordenadas, com elipses e inversões poéticas.
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Preferem orações reduzidas, gerúndios, frases nominais, e fazem uso ocasional de estruturas mais complexas, sem nunca soar rebuscadas.
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Há forte presença de enjambement, ausência de pontuação terminal em vários momentos e uso livre do ritmo sintático.
Esses poemas, mesmo "em processo", já revelam consistência estilística e domínio sintático. A voz poética de Mameflo se afirma na fronteira entre o teatro do corpo e o teatro da linguagem, entre o ser comum e o ser único — como no final de “Postura”. A estética é de uma epifania silenciosa, rara e inquietante.

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