"Tubo de Pomada" e Outros Poemas de Maurício Menossi Flores. Com Análise de IA - Inteligência Artificial.

 



"Tubo de Pomada" e Outros Poemas de Maurício Menossi Flores. Com Análise de IA - Inteligência Artificial. 


Tubo de Pomada

(Em processo, sem revisão.)

Incólume, crio desavenças justas,
Com aquele leviano crente:
Nas próprias juras ocultando-se,
Como se fosse honesto seu pranto.
Se rezo receando a chuva,
Pelos possíveis desastres,
Em fechadas curvas,
É porque passei por muitas,
No caminho da justiça oculta.
A torneira, faltando o mínimo aperto,
Pinga.
O motor de dois tempos
Voltou-me à mente,
Sem eu saber ainda o que significa.
O tubo e pomada sobre a mesa
Faz-me cônscio
Da desvalorizada vida.

(Mameflo)

 

Idade

(Em processo, sem revisão.)

Meus sessenta e um anos de idade
Fez de mim um avesso à cidade.
Não tenho o menor pudor
Em dizer: a vida nada vale.
Religiões e Ciências
A minha atenção disputam.
Eu, cada dia mais indiferente,
Digo a mim mesmo:
Deixa de ser demente!
Admiro os iluminados arautos:
Lamento pelo desaparecimento deles.
Porém rio ao saber somente:
Sofremos todos inutilmente.

(Mameflo)

 

Anti-Artista

(Em processo, sem revisão.)

Sou o anti-artista:
Sem fama, sem orgulho, sem público.
Levo, de boa, meu intuito
De ser o pior canal do YouTube.
Quanta pretensão!
Dirão os obtusos...
Eu respondo:
Pretensão alguma!
Nenhum esforço precisei,
Do talento inato,
Tudo isso é fruto!
Corrói-me a traça do acaso,
Dando eu de ombros,
Faço pouco caso.
Quero continuar no certeiro rumo
Dos enlevados pelo fracasso.

(Mameflo)


O ChatGPT disse:

Claro. Abaixo, segue uma análise separada dos três poemas, considerando elementos formais, temáticos e estilísticos de cada um, com atenção ao tom, às imagens poéticas e ao contexto subjetivo implícito:


1. "Tubo de Pomada"

Análise:

Este poema apresenta uma tessitura existencial e simbólica marcada pela tensão entre a integridade pessoal ("incólume") e o desgaste cotidiano. A linguagem parece oscilar entre a observação externa e a introspecção dolorosa, com imagens prosaicas e contundentes como "torneira", "motor de dois tempos" e o próprio "tubo de pomada", que surge como um símbolo de banalidade ou de um cuidado paliativo frente a feridas mais profundas — talvez morais, talvez psíquicas.

Temas centrais:

  • Justiça subjetiva: o "crio desavenças justas" sugere que o eu lírico age movido por uma ética própria, não institucionalizada.

  • Religiosidade crítica: a "reza receando a chuva" aponta para um temor prático, não místico, o que reforça uma religiosidade utilitária.

  • Metáforas cotidianas: o motor, a torneira e o tubo de pomada são elementos domésticos usados como dispositivos para o estranhamento e o desconforto existencial.

Estilo e forma:

  • Versos curtos, livres, com ritmo irregular, contribuindo para a sensação de fluxo mental ou confissão.

  • Ambiguidade e indeterminação de sentido (“motor de dois tempos / voltou-me à mente, / sem eu saber ainda o que significa”) evocam o caráter enigmático do pensamento involuntário ou das reminiscências inconscientes.

Conclusão:
O poema é um retrato íntimo e crítico de uma subjetividade desencantada, que encontra nas coisas mínimas — como um tubo de pomada — a revelação da “desvalorizada vida”.


2. "Idade"

Análise:

Este poema tem um tom mais direto e confessional. Trata-se de uma meditação amarga e desiludida sobre o envelhecimento, a perda de sentido e o esvaziamento existencial. O verso inicial já choca pelo uso do singular ("fez" em vez de "fizeram"), o que pode ser interpretado como um descuido formal ou uma escolha estilística que reforça o estranhamento.

Temas centrais:

  • Desencanto com a vida: “a vida nada vale” é uma declaração brutal de niilismo.

  • Crítica à disputa ideológica: Religião e Ciência são colocadas como polos que disputam uma atenção que o eu lírico já não oferece, sugerindo esgotamento e indiferença filosófica.

  • Desprezo e ironia: o eu lírico se trata com desdém (“deixa de ser demente!”) e ri da dor universal, denunciando o sofrimento como algo inevitável e fútil.

Estilo e forma:

  • O poema aposta no contraste entre um tom quase moralizante e a ironia profunda, entre o lamento sincero e a zombaria amarga.

  • Forte uso de antíteses e paradoxos: admira os arautos iluminados, mas conclui com riso e pessimismo.

Conclusão:
“Idade” é um poema desencantado, que conjuga lucidez amarga com humor negro, traçando o perfil de um sujeito que envelheceu, mas não se reconciliou com a vida, nem com suas explicações.


3. "Anti-Artista"

Análise:

Aqui, temos uma declaração estética que se pretende negativa: o “anti-artista” se define por oposição aos valores consagrados da arte e da cultura midiática. O tom sarcástico e irônico está presente do início ao fim, sendo o mais performático e auto-referencial dos três poemas.

Temas centrais:

  • Crítica ao sucesso e à fama: o eu lírico rejeita o reconhecimento, a vaidade e o aplauso, posicionando-se deliberadamente à margem.

  • Estética do fracasso: “dos enlevados pelo fracasso” é uma síntese do projeto poético — um elogio ao malogro como forma de resistência estética.

  • Antitalento como postura estética: dizer que não houve esforço, nem talento, mas que tudo “é fruto” do acaso soa como provocação ao mito do gênio criador.

Estilo e forma:

  • Tom coloquial e debochado, com uma cadência que lembra o improviso oral.

  • Uso de linguagem informal (“de boa”, “obtusos”, “faço pouco caso”) reforça a postura antiacadêmica e marginal do “anti-artista”.

Conclusão:
Este poema é uma espécie de manifesto do artista outsider, que renega as instituições da arte e da cultura de massa com humor corrosivo e autodepreciação altiva. É o mais combativo e autoirônico dos três.


Considerações finais:

Os três poemas formam um tríptico de desencanto:

  • o primeiro com tons existencialistas,

  • o segundo com uma crítica geracional e

  • o terceiro com um posicionamento estético subversivo.

O sujeito poético parece ser o mesmo: alguém cansado das ilusões do mundo moderno, consciente de sua própria marginalidade, mas que, ao invés de pedir lugar, faz da recusa sua estética. Há força crítica, lirismo áspero e uma ironia que não escapa ao olhar de quem já viu demais.

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