"Chips" e Outros Poemas de Maurício Menossi Flores, Com Análise da IA - Inteligência Artificial.




"Chips" e Outros Poemas de Maurício Menossi Flores, Com Análise da IA - Inteligência Artificial. 


Chips
(Em processo, sem revisão.)

A máquina
De 400 milhões de dólares
Para fazer chips
Foi financiada
Por plantadores de batatas?
Se, na China,
Ela lá não existe
É porque a deles
É mais barata.
Há ratos em minha casa
E, para exterminá-los,
Usarei o algoritmo
Dando dicas de boas armadilhas:
Uma ótima ratoeira
Que dispara, bem certeira,
Raios ultravioleta.
Na esquina de onde moro,
Descartam lixo irregularmente.
Vou comprar pela internet
Um kit apropriado
Para esses descasos.

(Mameflo)

 

Hoje
(Em processo, sem revisão.)

Hoje nada plantei
E muito menos os vasos aguei.
Pobre sina essa minha:
Acordar com preguiça.
Ah, como é bom
O abraço da amiga,
Depois de lhe dar a notícia
De ter ganho na loteria!
Aos poucos vou me findando,
A reforma da casa protelando.
Pobre sina:
Santa Maria,
Pinta e Nina,
Essas naus vão me levando.

(Mameflo)

Log
(Em processo, sem revisão.)

Ligo o celular
Para recordar
O conceito de logaritmo.
Preciso me elevar...
A quê?
Não tenho em quem me espelhar.
Viro meme,
Super man.
Deixei o espírito esperando...
Vamos assombrar a casa
De garota enamorada.
Ontem ouvi a mensagem
Da nave jupteriana...
Há certas pendências
Passadas um pouco da hora:
Deus queira que os juros caiam...
Um dia acerto as contas.

(Mameflo)


Vamos analisar os três poemas de Mameflo separadamente, considerando aspectos como tema, linguagem, forma e possíveis sentidos simbólicos ou críticos.


1. Chips

(Em processo, sem revisão)

Análise temática e crítica:

Este poema se destaca por uma crítica irônica à tecnologia de ponta, ao consumismo digital e às soluções automatizadas para problemas cotidianos. A pergunta inicial carrega um tom de espanto e sarcasmo: como uma máquina caríssima que produz chips pode ter sido financiada por algo tão básico quanto a plantação de batatas? Há aqui um contraste que denuncia disparidades econômicas e tecnológicas globais.

O poema faz menção direta à China, apontando uma realidade geopolítica: a supremacia tecnológica chinesa baseada em custos baixos, em contraposição à tecnologia "ocidental", cara e, por vezes, ineficaz ou elitista.

A segunda parte introduz dois elementos:

  • Ratos e algoritmo: une praga doméstica e inteligência artificial, criando uma imagem cômica e crítica das promessas tecnológicas para problemas mundanos.

  • Lixo na esquina e compras online: volta-se à crítica social urbana — a ineficiência dos serviços públicos e a dependência de soluções individuais e de consumo (o “kit apropriado”) para problemas coletivos.

Linguagem e forma:

  • Livre, coloquial, fluente.

  • Uso de perguntas e frases curtas para criar ritmo.

  • Mistura de termos técnicos ("algoritmo", "raios ultravioleta") com linguagem simples do dia a dia.

  • A ironia é a tônica predominante.


2. Hoje

(Em processo, sem revisão)

Análise temática e existencial:

Este poema tem uma atmosfera mais íntima e contemplativa. Começa com uma confissão da preguiça e da improdutividade — uma recusa (ou impossibilidade) de agir no mundo. A frase “Hoje nada plantei” tem duplo sentido: literal (jardinagem) e metafórico (não produziu nada de valor no dia).

Em seguida, aparece um contraste entre o desânimo e a alegria repentina: o abraço da amiga após ganhar na loteria. Essa passagem dá um toque de fantasia ou desejo escapista à narrativa.

A terceira estrofe retoma o desânimo existencial: o corpo que vai “se findando”, a casa que não se reforma — elementos que aludem à passagem do tempo e à negligência de si mesmo.

O desfecho é belíssimo e simbólico: a referência às três caravelas de Colombo — Santa Maria, Pinta e Nina — sugere que o eu lírico está sendo levado pelo destino, sem controle. É uma metáfora da vida que o carrega sem rumo claro.

Linguagem e forma:

  • Tom melancólico e confessional.

  • Rimas ocasionais e espontâneas (“preguiça / notícia”, “findando / protelando”).

  • Forte carga simbólica na última estrofe.

  • Simplicidade que esconde complexidade existencial.


3. Log

(Em processo, sem revisão)

Análise temática e simbólica:

Neste poema, a abstração matemática do "logaritmo" serve como símbolo da busca por elevação e sentido. O título já dá pista de uma exploração do “log” não apenas como termo matemático, mas também como “registro” ou “entrada” (em sistemas e redes digitais).

O eu lírico revela uma confusão: quer se elevar, mas não sabe a quê nem tem em quem se espelhar. Esse desamparo dá lugar a um humor estranho: transforma-se em “meme” e “Super man”, imagens que dialogam com o mundo digital, a cultura pop e a busca por relevância ou superação artificial.

Na parte final, há um giro surreal e místico:

  • “Deixei o espírito esperando...” sugere uma cisão entre o corpo e a alma.

  • “Vamos assombrar a casa / De garota enamorada” mistura espírito, paixão e travessura.

  • “Mensagem da nave jupteriana” traz o tom de ficção científica ou delírio cósmico.

A estrofe final é uma espécie de desabafo financeiro e espiritual: “pendências”, “juros”, “acertar as contas” — tudo misturado, como se o juízo final fosse também a chegada da fatura.

Linguagem e forma:

  • Livre associação de ideias, quase onírica.

  • Referências múltiplas: matemática, internet, mitologia pop, espiritualidade, finanças.

  • Tom humorado, reflexivo e um tanto caótico, com ecos de surrealismo moderno.


Conclusão Geral:

Os três poemas, ainda em processo, revelam um poeta multifacetado, que alterna:

  • Crítica social e política (Chips)

  • Confissão existencial e lírica (Hoje)

  • Exploração simbólica e tecnológica do mundo contemporâneo (Log)

Apesar das formas livres e da linguagem cotidiana, há um fio de pensamento sofisticado que perpassa todos os textos: a tensão entre o sujeito e o mundo automatizado, desigual, imprevisível.

Eles são, portanto, peças poéticas atuais, que se inscrevem numa tradição crítica da poesia brasileira (lembrando Leminski, Torquato Neto, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes), mas com voz própria.

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