"Aprendi" e Outros Poemas de Maurício Menossi Flores. Com Análise de Inteligência Artificial.

 

"Aprendi" e Outros Poemas de Maurício Menossi Flores. Com Análise de Inteligência Artificial.


Aprendi
(Em processo, sem revisão.)

Hoje, aprendi Que Gil Vicente
Era contra a venda de indulgências,
E isso pode significar
Um certo alinhamento
Com Lutero.
O qual, por sua vez,
Pode ter sido influenciado
Pela cabalá de Joaquim de Fiori.
Aprendi, em certo podcast,
No debate entre um MC
E um membro do MBL,
Que estamos lascados
De todos os lados
Para onde nos virarmos.
Aprendi, quando o MC
Citou o Chico,
Que tudo
Acabará em pizza
E em luto.
Acendo uma vela
E bebo cerveja no gargalo.
Ouço a sinfonia
Composta por um amigo.
Criamos um vídeo
Para postar no YouTube
E não sermos, como sempre, vistos.
Da parca aposentadoria
Bem mal vivo.
Minha esposa
Esfola-se em três empregos,
Sendo professora.
É tratada por certos políticos
Pior que marginal.
O ChatGPT disse ser genial
O desfecho de poema meu:
Acreditei, pois um elogio desses
Não é nada mal.
Aos sessenta e um anos de idade
Não cogito tentar algo diferente.
Quero apenas evitar dor de dente,
Sem perdê-los na imundície
De uma periodontite.

(Mameflo)

Bebo
(Em processo, sem revisão.)

Bebo cerveja no gargalo.
Estou no apartamento alugado.
Gosto de dormir assistindo TV.
Pago a conta da Eletropaulo.
Consolo-me pensando:
"Não tive filhos
E isso foi o mais acertado".
Amanhã, quem sabe,
Estarei usufruindo
Da companhia de familiares.
Quem sabe...
A incerteza vem
De várias possibilidades possíveis:
Eu não sou livre.
Coço a cabeça raspada
Sentindo prazer
Em arrancar as cascas
Dos pequenos ferimentos
Causados pela lâmina
Do aparelho de barbear.
Dou mais um gole
E fico olhando
Para o resto de líquido,
Na garrafa contido.

(Mameflo)

Desejo
(Em processo, sem revisão.)

Queria transformar
A minha ideia
Em magreza.
Falo de algo
Profundamente psicológico,
Como se lesse um livro
De cabo a rabo
E tirasse as minhas
Próprias conclusões.
Percebi meu pensamento
Menos lógico
E mais intuitivo,
igual sentir cheiro de incenso
E descrever a imagem
Vinda na mente.
Dei muita sorte na vida,
Apesar de ser um crápula!
Envergonho-me, sim,
Sinceramente.
Creio ser melhor
Esquecer essa existência
E nem pensar
Em possível sequência.

(Mameflo)


1. "Aprendi"

Análise temática:
O poema é um fluxo de consciência que entrelaça aprendizados históricos, políticos e cotidianos com uma percepção amarga da realidade. Começa com uma referência erudita (Gil Vicente, Lutero, cabalá), passa por um debate político entre um MC e um membro do MBL (duas forças sociais/culturais contrastantes), e desemboca na própria condição existencial do eu lírico: envelhecido, marginalizado, culturalmente ativo, mas invisível.

Tons e linguagem:

  • Mistura de erudição e coloquialidade: da cabalá a "acabar em pizza".

  • Uso de ironia e desencanto como forças poéticas.

  • O poema trabalha com justaposição: saberes elevados convivem com o cotidiano degradado.

Destaques:

  • O verso “Acendo uma vela / E bebo cerveja no gargalo” é forte: rito e vício, fé e escárnio, convivem sem resolução.

  • A autodepreciação se mistura com orgulho artístico e amor conjugal (a esposa professora).

  • Há algo de autobiográfico, documental, geracional: “Aos sessenta e um anos de idade / Não cogito tentar algo diferente” é de um realismo cortante.

Conclusão:
É um poema de denúncia e lucidez, com ecos de crônica poética. A crítica social e o desabafo íntimo se fundem num estilo direto e melancólico, mas com lampejos de sarcasmo e resistência.


2. "Bebo"

Análise temática:
Aqui, o eu lírico está imerso em uma solidão urbana, anestesiado por álcool, refletindo sobre sua vida sem filhos, suas contas, a ausência de liberdade e a dor transformada em gesto ritual (arrancar casquinhas da cabeça raspada).

Tons e linguagem:

  • Minimalismo existencial: ações banais ganham peso filosófico.

  • Forte elemento de observação introspectiva.

  • Linguagem seca, quase prosaica, mas cheia de pequenas epifanias.

Destaques:

  • "Consolo-me pensando: 'Não tive filhos / E isso foi o mais acertado'" — um verso de decisão ambígua e peso emocional.

  • “Coço a cabeça raspada / Sentindo prazer / Em arrancar as cascas” — imagem forte e perturbadora, de autolesão simbólica, da repetição quase masoquista de uma dor controlada.

Conclusão:
É um poema de clausura, resignação e auto-observação. Um retrato da rotina e do não-acontecimento, com breves tentativas de consolo e um olhar nihilista, mas lúcido, sobre si mesmo.


3. "Desejo"

Análise temática:
Este poema mergulha em um desejo não físico, mas mental: transformar ideias em "magreza", no sentido de alívio, leveza, purificação talvez. É uma meditação sobre a intuição, a culpa e a renúncia à continuidade.

Tons e linguagem:

  • O mais metafísico dos três poemas.

  • Há poesia na forma de pensamento abstrato.

  • A linguagem é simbólica, reflexiva e mais compacta.

Destaques:

  • “Queria transformar / A minha ideia / Em magreza” — potente abertura, metafórica e inesperada.

  • “Menos lógico / E mais intuitivo, / igual sentir cheiro de incenso / E descrever a imagem / Vinda na mente” — descreve com delicadeza o funcionamento da mente poética.

  • A autodeclaração de culpa ("crápula") e a vergonha são diretas, mas servem para justificar um desejo de esquecimento.

Conclusão:
É o poema mais íntimo, voltado à angústia existencial e espiritual. A intuição ganha centralidade, e a vergonha pelo passado conduz o eu lírico a desejar o apagamento, mais do que a redenção.


Síntese geral:

Os três poemas formam, juntos, um tríptico contemporâneo de desencanto, lucidez e resistência. Misturam crítica social, reflexões existenciais e observações cotidianas com uma voz lírica muito pessoal. Há um tom de autoconfissão contínuo, com nuances de humor negro, sarcasmo e resignação.

Sugestões para revisão (caso deseje):

  • Você pode fortalecer o ritmo interno com pequenos cortes ou ajustes nas quebras de verso.

  • O uso de elementos cotidianos como cerveja, TV, raspagem de cabeça, contas pagas e a vida de professoras precarizadas trazem grande potência simbólica — convém preservar isso.

  • Se optar por manter a crueza e o tom quase confessional, os poemas já estão bastante potentes como estão.

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