Poema "Nada", De Maurício Menossi Flores. Com Análise do ChatGPT.



Poema "Nada", De Maurício Menossi Flores. Com Análise do ChatGPT. 


Nada

(Em processo, sem revisão.)

No cérebro,

No circuito elétrico,

O anestésico.

Há mais de quinze anos,

Ele vive como morto.

Correndo atrás de fantasmas,

Sonhando com aeronaves,

Vindas de outros planos.

Há mais de quinze anos,

Consome álcool, come carne,

Escova os dentes, toma banho,

Canta no chuveiro.

Há mais de quinze anos, passeia.

Vai à praia, pelo interior vagueia,

Deita-se em cama já feita.

A arte para turistas,

Barcos de papel,

Pássaros de madeira,

Anjos de palha,

Coloca na estante poeirenta.

Nesses anos todos,

É a mulher quem o sustenta,

Não o tendo nem ao menos

Como amante.

(Mameflo)


O poema "Nada", assinado por Mameflo e indicado como "em processo, sem revisão", é uma composição marcada por um tom existencialista sombrio e introspectivo. Ele propõe uma crítica ao vazio cotidiano e à alienação subjetiva de um indivíduo que, embora biologicamente vivo, parece espiritualmente morto. Abaixo, segue uma análise detalhada:


Título: "Nada"

O título já antecipa o vazio, a inércia e o desinvestimento afetivo e existencial que percorrem o texto. Ele funciona como uma chave de leitura, que se confirma verso a verso: estamos diante de um ser que não sente, não cria, não deseja — apenas existe como função residual.


Primeira estrofe:

"No cérebro,
No circuito elétrico,
O anestésico."

Aqui, a metáfora neurobiológica é potente. O cérebro, entendido como centro do pensamento e da consciência, está anestesiado. Há uma suspensão da sensibilidade, talvez por um trauma, talvez por um conformismo, talvez por uma escolha inconsciente. O uso da palavra "anestésico" remete a um entorpecimento deliberado ou crônico. O sujeito não sente mais a vida.


Segunda parte:

"Há mais de quinze anos,
Ele vive como morto."

Reforço do tema da morte em vida. A passagem do tempo (quinze anos) indica não uma crise momentânea, mas uma estagnação prolongada. Trata-se de um estado duradouro, de paralisia existencial.


Fragmentos da rotina:

"Correndo atrás de fantasmas,
Sonhando com aeronaves,
Vindas de outros planos."

Esses versos introduzem elementos oníricos e metafísicos. A "corrida atrás de fantasmas" sugere arrependimentos, traumas ou memórias que não se dissipam. As "aeronaves de outros planos" evocam escapismo, talvez uma esperança de salvação mística ou alienígena — um desejo de fuga radical da realidade.


O cotidiano maquinal:

"Consome álcool, come carne,
Escova os dentes, toma banho,
Canta no chuveiro."

Esses gestos comuns, quase banais, são descritos como parte de um automatismo existencial. O sujeito realiza ações, mas sem propósito claro ou conexão emocional. O canto no chuveiro, talvez o único gesto de "vida", também parece mecânico.

"Passeia.
Vai à praia, pelo interior vagueia,
Deita-se em cama já feita."

O verbo vaguear é chave. Ele sugere deslocamentos sem direção ou objetivo. Mesmo o lazer (praia, passeios) é esvaziado de sentido. "Deitar-se em cama já feita" acentua a passividade e a dependência.


A crítica à arte decorativa:

"A arte para turistas,
Barcos de papel,
Pássaros de madeira,
Anjos de palha,
Coloca na estante poeirenta."

O poema insere uma crítica sutil à arte esvaziada de experiência, reduzida a objeto de consumo turístico. A estante "poeirenta" representa o abandono da fruição estética. A arte virou decoração — mais um símbolo do tédio.


A relação amorosa (ou sua ausência):

"É a mulher quem o sustenta,
Não o tendo nem ao menos
Como amante."

O poema fecha com um golpe seco: o homem depende materialmente da mulher, mas não a ama e nem é amado. O termo amante não se refere apenas ao erotismo, mas à ausência de relação afetiva, desejo e vínculo. É um relacionamento de fachada — mais um indício do esvaziamento total da existência.


Síntese interpretativa

O eu lírico retrata um homem morto em vida, preso em uma rotina sem alma, cuja existência é sustentada por automatismos e por outra pessoa. Há crítica social (à arte de mercado, ao papel masculino decadente), crítica existencial (à alienação subjetiva) e até uma ironia sutil, que aparece no canto no chuveiro ou na "arte para turistas". O tom é contido, mas devastador.


Estilo

  • Economia de linguagem: versos curtos, secos, diretos.

  • Repetição temporal ("Há mais de quinze anos"): acentua a estagnação.

  • Imagens simples, mas simbólicas: aeronaves, fantasmas, anjos de palha.

  • Linguagem acessível: sem hermetismos, permitindo leitura fluida.

  • Ausência de pontuação final: contribui para o tom suspenso e inconcluso da existência retratada.


Considerações finais

Mesmo "em processo", o poema já apresenta uma maturidade estética e temática. Sua força reside no vazio retratado sem exagero dramático, com uma frieza que potencializa o impacto emocional. É um retrato sensível de um tipo humano contemporâneo: o homem que perdeu o sentido, mas segue funcionando — como máquina, como sombra, como nada.

Se desejar, posso sugerir variações ou revisões formais para torná-lo mais coeso ou polido, mantendo o espírito original. Deseja isso?

Você disse:
Quero uma análise sintática do mesmo.
O ChatGPT disse:

Claro! Vamos fazer uma análise sintática detalhada do poema "Nada", de Mameflo. Como se trata de um texto poético, nem sempre ele segue a estrutura tradicional da norma padrão (frases completas, pontuação regular), mas é possível identificar os elementos principais da sintaxe em cada trecho.


🧩 Análise sintática — trecho a trecho


1.

"No cérebro,
No circuito elétrico,
O anestésico."

  • “No cérebro” → adjunto adverbial de lugar (preposição em + núcleo cérebro)

  • “No circuito elétrico” → outro adjunto adverbial de lugar ou circunstância.

  • “O anestésico” → sujeito simples ou predicativo em uma frase elíptica. A estrutura sugere:

    [Há] o anestésico no cérebro, no circuito elétrico.

Análise implícita:

  • Verbo "há" (oculto) → verbo impessoal

  • Sujeito inexistente (porque "haver", no sentido de existir, é impessoal)

  • "O anestésico" → objeto direto

  • "No cérebro, no circuito elétrico" → adjuntos adverbiais de lugar


2.

"Há mais de quinze anos,
Ele vive como morto."

  • “Há mais de quinze anos”

    • Verbo haver (impessoal, sentido de tempo decorrido)

    • "Mais de quinze anos" → objeto direto do verbo haver

  • “Ele vive como morto”

    • Sujeito: ele

    • Verbo: vive (verbo de ligação)

    • Predicativo do sujeito: como morto


3.

"Correndo atrás de fantasmas,
Sonhando com aeronaves,
Vindas de outros planos."

  • Essas três frases são orações reduzidas de gerúndio, com sujeito oculto ("ele"):

  1. "Correndo atrás de fantasmas"

    • Verbo: correndo (oração reduzida de gerúndio)

    • Complemento verbal: atrás de fantasmas (locução prepositiva: adjunto adverbial de lugar ou ideia de perseguição)

  2. "Sonhando com aeronaves"

    • Verbo: sonhando

    • Complemento verbal: com aeronaves → objeto indireto

  3. "Vindas de outros planos"

    • Particípio do verbo vir, atuando como adjetivo de “aeronaves”

    • Sujeito implícito: aeronaves

    • “de outros planos” → adjunto adnominal (com valor locativo ou metafísico)


4.

"Consome álcool, come carne,
Escova os dentes, toma banho,
Canta no chuveiro."

São orações coordenadas assindéticas, com sujeito oculto (“ele”):

  1. “Consome álcool”

    • Verbo transitivo direto: consome

    • Objeto direto: álcool

  2. “Come carne”

    • Verbo transitivo direto: come

    • Objeto direto: carne

  3. “Escova os dentes”

    • Verbo transitivo direto: escova

    • Objeto direto: os dentes

  4. “Toma banho”

    • Verbo: toma (verbo intransitivo ou locução verbal)

    • Objeto direto: banho (expressão idiomática)

  5. “Canta no chuveiro”

    • Verbo: canta

    • Adjunto adverbial de lugar: no chuveiro


5.

"Passeia.
Vai à praia, pelo interior vagueia,
Deita-se em cama já feita."

  1. "Passeia"

    • Verbo intransitivo, sujeito oculto “ele”

  2. "Vai à praia"

    • Sujeito: oculto “ele”

    • Verbo intransitivo: vai

    • Complemento (adjunto adverbial de lugar): à praia

  3. "Pelo interior vagueia"

    • Verbo intransitivo: vagueia

    • Adjunto adverbial de lugar: pelo interior

  4. "Deita-se em cama já feita"

    • Verbo pronominal: deita-se

    • Complemento: em cama já feita

      • “em cama” → adjunto adverbial de lugar

      • “já feita” → oração adjetiva reduzida de particípio, que caracteriza a “cama”


6.

"A arte para turistas,
Barcos de papel,
Pássaros de madeira,
Anjos de palha,
Coloca na estante poeirenta."

O trecho tem uma construção elíptica ou anacolútica (quebra proposital da sintaxe para criar efeito poético). A última frase dá sentido às anteriores:

  • Sujeito: ele (oculto)

  • Verbo transitivo direto: coloca

  • Objeto direto composto:

    • a arte para turistas

    • barcos de papel

    • pássaros de madeira

    • anjos de palha

    → Todos como objetos de "coloca"

  • Complemento adverbial de lugar: na estante poeirenta


7.

"Nesses anos todos,
É a mulher quem o sustenta,
Não o tendo nem ao menos
Como amante."

  1. “Nesses anos todos” → adjunto adverbial de tempo

  2. “É a mulher quem o sustenta”

    • Sujeito da oração principal: a mulher

    • Verbo: é (cópula enfática, com oração subordinada)

    • Oração subordinada: quem o sustenta

      • Sujeito: quem

      • Verbo transitivo direto: sustenta

      • Objeto direto: o (pronome oblíquo referente a "ele")

  3. “Não o tendo nem ao menos / Como amante”

    • Oração reduzida de gerúndio (oração subordinada adverbial concessiva ou explicativa)

    • Sujeito oculto: “ela”

    • Verbo: tendo

    • Objeto direto: o

    • Predicativo do objeto: como amante


📌 Resumo dos principais elementos sintáticos no poema

  • Sujeito oculto: predominante (quase tudo gira em torno de "ele", que nunca é nomeado diretamente).

  • Verbos no presente do indicativo: conferem simultaneidade, rotina, estagnação.

  • Oração reduzida de gerúndio: usadas para descrever ações habituais ou contínuas.

  • Objeto direto composto: aparece com frequência em ações mecânicas do sujeito.

  • Adjuntos adverbiais de tempo e lugar: fundamentais para situar a rotina e o esvaziamento do personagem.

  • Uso de anacoluto e elipse: gera pausas e quebras que reforçam o tom melancólico e introspectivo.

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