Poema "A Sombra da Sombra", de Maurício Menossi Flores. Com Análise.

 



A Sombra da Sombra.

(Em processo, sem revisão.)

A Sombra da sombra é sobra.

Por mais que desperdice os dias

Eles serão escassos.

Quero caminhar corretamente

De olhos fechados.

Ruídos noturnos dizem-me

O quanto sofro com barulho.

Quando estiver nas últimas,

Lembrará de mim?

Tantos anos faz!

Esquecerei jamais... 

Sempre haverá maneira

De manter a sujeira

Debaixo do tapete.

Tudo é tão presente!

Tenho em mente a morbidez 

De um velório alegre.

Mudar de assunto fazendo palavras cruzadas,

Não nos fará menos necessitados de tomarmos água.

Não melhorará o trânsito para outra existência.

Pequenas lembranças de viagens longas

Esquecidas na estante.

Transparências de cortina improvisada.

Mameflo


Faça uma análise estética e sintática do poema. 

O ChatGPT disse:

Claro! Vamos analisar o poema "A Sombra da Sombra", assinado como Mameflo, sob duas óticas complementares: estética (com foco no conteúdo, nas imagens poéticas, nos sentidos e simbolismos) e sintática (análise da estrutura linguística, da construção das frases e da coerência interna).


🌒 Análise Estética

🌫️ Título: A Sombra da Sombra

O título é altamente simbólico e filosófico, evocando ideias de duplicidade, reflexo, ausência e algo que resta de algo já ausente — uma "sobra", como o próprio verso inicial diz. Há aqui uma ressonância com Fernando Pessoa e seus heterônimos, especialmente nos jogos com a identidade, o efêmero e o que não se pode tocar. Também se sente a angústia existencial do pós-moderno, em que tudo parece duplicado e ainda assim vazio.

🔁 Repetição e Redução:

"A sombra da sombra é sobra."
Essa frase curta, sonora, é um trocadilho existencial. Brinca com fonemas semelhantes (sombra/sobra), mas comunica uma ideia forte: o que sobra da vida, da memória, da identidade? Ao mesmo tempo em que é lúdico, é um verso pesado.

🕰️ Tempo e Existência:

"Por mais que desperdice os dias / Eles serão escassos."
Há aqui uma consciência da finitude e do desperdício do tempo. Mesmo que se perca tempo, ele ainda será pouco. O paradoxo do cotidiano esvaziado.

🧠 Contradição e Desejo:

"Quero caminhar corretamente / De olhos fechados."
Desejo de correção num mundo de cegueira? Ou fé cega em algo certo? O poema frequentemente usa oxímoros ou imagens contraditórias para tensionar a realidade.

🌃 Barulho e Silêncio:

"Ruídos noturnos dizem-me / O quanto sofro com barulho."
A presença do ruído como sofrimento é literal, mas também pode ser metáfora do excesso de estímulos, ou da vida urbana — ecoando seus próprios projetos artísticos voltados ao combate ao barulho.

⚰️ Morte e Ironia:

"Tenho em mente a morbidez / De um velório alegre."
Outro oxímoro poderoso. A imagem do velório alegre traz ironia, possível crítica ao costume de disfarçar a dor com convenções sociais — ou até um riso nervoso diante da finitude.

🧳 Cotidiano e Transcendência:

"Pequenas lembranças de viagens longas / Esquecidas na estante."
Um resumo tocante da memória: o que foi grande no passado, agora repousa sem glória entre objetos. Simboliza a banalização da experiência, o esquecimento da emoção.


🧠 Análise Sintática

1. Versos curtos, diretos, mas densos

A estrutura sintática é simples, mas impactante. O sujeito quase sempre é claro ou está subentendido (como "eu" nas frases em 1ª pessoa). Frases como:

"Eles serão escassos."
"Esquecerei jamais..."

são orações diretas com verbo de ligação ou verbo pleno, muitas vezes em tom afirmativo ou categórico, o que aumenta o peso existencial.

2. Verbos no futuro e no presente

Há uso intercalado de tempos verbais, especialmente o presente ("Tenho em mente", "Quero caminhar") e o futuro ("Eles serão", "Lembrará de mim?"). Isso cria um diálogo entre o agora e o depois, sugerindo que o futuro está contaminado pela angústia do presente.

3. Pontuação expressiva

O uso de pontuação é estilístico: as reticências indicam dúvida, suspense, ou continuidade do pensamento, como em:

"Esquecerei jamais..."

Além disso, há perguntas diretas:

"Lembrará de mim?"

que aumentam o tom confessional, quase como uma carta não enviada ou um monólogo interior.

4. Encadeamento de ideias por justaposição

Alguns versos parecem colar ideias por aproximação ou sugestão, sem conectivos explícitos:

"Mudar de assunto fazendo palavras cruzadas, / Não nos fará menos necessitados de tomarmos água."

Aqui, a ligação entre a fuga da realidade e as necessidades básicas é feita por sintaxe livre, quase coloquial, e cheia de ironia filosófica.


✨ Conclusão

O poema é uma meditação poética sobre tempo, morte, memória e frustrações modernas, com uma linguagem acessível, mas marcada por jogos de sentido, contrastes e metáforas. A estética lembra a poesia minimalista existencial, e a sintaxe, embora simples, carrega profundidade por meio da escolha lexical e da estrutura fragmentada e simbólica.


Há partes do poema que não foram analisadas. Poderia completar essa análise?
O ChatGPT disse:

Claro! Vamos completar a análise estética e sintática do poema "A Sombra da Sombra", de Mameflo, abordando os trechos que ainda não foram comentados diretamente. Abaixo, continuo com os versos restantes e seu exame detalhado.


🧠 Continuação da Análise Estética e Sintática


🧹 “Sempre haverá maneira / De manter a sujeira / Debaixo do tapete.”

Estética:
Aqui há uma crítica sutil e mordaz à hipocrisia social — a tendência de esconder problemas ao invés de enfrentá-los. Pode-se ler como crítica à política, à convivência familiar, ou à cultura do silêncio. O uso da expressão popular ("sujeira debaixo do tapete") carrega ironia, pois é familiar ao leitor, mas ganha profundidade metafórica no contexto do poema.

Sintaxe:
Temos uma oração composta por coordenação e por redução do infinitivo:

  • “Sempre haverá maneira” (oração principal com sujeito simples e verbo no futuro).

  • “De manter a sujeira debaixo do tapete” funciona como complemento verbal (oração subordinada reduzida de infinitivo).
    O paralelismo “manter a sujeira / debaixo do tapete” reforça a musicalidade e o peso semântico.


🕰️ “Tudo é tão presente!”

Estética:
Essa frase breve pode ser lida como um grito. Apesar do poema tratar da morte, da escassez do tempo, do passado esquecido — tudo é agora. Há um jogo de tensão entre o presente opressor e o passado que insiste em retornar. A exclamação adiciona ênfase emocional.

Sintaxe:
Estrutura simples, direta: sujeito (“tudo”) + verbo de ligação (“é”) + predicativo (“tão presente!”). A palavra “tão” como advérbio de intensidade reforça o sentimento de saturação — o presente é intenso, talvez insuportável.


⚰️ “Tenho em mente a morbidez / De um velório alegre.”

Estética:
Já comentado em parte antes, mas vale aprofundar: o verso traz contraste emocional entre a morbidez e a alegria — e isso gera incômodo proposital. Pode sugerir uma aceitação da morte ou uma crítica à superficialidade de certos rituais.

Sintaxe:
“Tenho em mente” é uma construção com verbo + locução prepositiva. “A morbidez de um velório alegre” funciona como objeto direto composto por substantivo + adjunto adnominal (“de um velório alegre”). A combinação de sentidos conflitantes confere ao trecho um efeito de estranhamento poético.


🧩 “Mudar de assunto fazendo palavras cruzadas,

Não nos fará menos necessitados de tomarmos água.”

Estética:
Essa imagem mistura o lúdico cotidiano (palavras cruzadas) com uma necessidade vital (água), formando um contraste entre distração e urgência. A metáfora talvez critique os mecanismos de alienação — como passatempos ou fugas mentais — que não resolvem a essência da angústia humana.

Sintaxe:
Aqui temos uma oração subordinada adverbial de condição:

  • “Mudar de assunto fazendo palavras cruzadas” (oração subordinada reduzida de gerúndio);

  • “Não nos fará menos necessitados...” (oração principal).
    O uso do futuro composto com dupla negação (“não nos fará menos”) destaca a inevitabilidade da necessidade, reforçada pela forma verbal “tomarmos”.


🧳 “Não melhorará o trânsito para outra existência.”

Estética:
Mais uma imagem de existencialismo cotidiano. O “trânsito para outra existência” pode ser entendido como a passagem para a morte, a transição espiritual ou mesmo uma mudança interna radical. Há crítica à ilusão de que pequenos gestos mudam destinos maiores.

Sintaxe:
Frase simples, negativa, com sujeito oculto (o “mudar de assunto”, do verso anterior, segue implícito) + verbo no futuro do presente. O uso de “trânsito” como metáfora é original, ampliando o campo semântico.


🧠 “Pequenas lembranças de viagens longas / Esquecidas na estante.”

Estética:
Aqui há um lirismo melancólico: objetos esquecidos que contêm experiências marcantes. A estante, símbolo da memória arquivada, reforça a ideia de que até o que foi intenso se banaliza com o tempo.

Sintaxe:
Oracionalmente, trata-se de uma oração reduzida de particípio (“esquecidas na estante”) que se liga à ideia anterior. A economia sintática reflete a simplicidade com que a memória se esvai — o formalismo serve ao conteúdo.


🕯️ “Transparências de cortina improvisada.”

Estética:
Verso final sutil e ambíguo. A “cortina improvisada” pode simbolizar o que é feito às pressas, o que oculta parcialmente algo que não se quer ver — ou que se quer ver com certa delicadeza. As “transparências” remetem à fragilidade, àquilo que se mostra mesmo tentando se esconder.

Sintaxe:
Frase nominal (sem verbo), o que confere ao final um efeito suspenso, quase como uma imagem congelada. Essa estrutura é frequente em versos finais, por deixar uma impressão poética no leitor.


🎯 Considerações Finais

O poema é altamente coerente na forma e no conteúdo. Oscila entre imagens concretas e símbolos abstratos, entre crítica social e intimismo existencial. A linguagem é simples, mas carregada de subtexto filosóficoironia discreta e tristeza lúcida. O uso de frases curtas, o predomínio de tempos presente e futuro, e o jogo com expressões conhecidas reformuladas (como “sujeira debaixo do tapete”) criam um clima reflexivo e inquietante.




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