"Os Três Poemas", De Maurício Menossi Flores.
OS TRÊS POEMAS
A Navalha de Ockham.
(Em processo, sem revisão.)
A Navalha de Ockham
Passada pela minha mente
Disse-me somente
No cérebro pense.
Não desprezo lamentos,
Vozes do inconsciente,
Porém preciso agarrar-me
Nas possíveis sementes
De sobreviver sem apelos inconsequentes.
Pagar na mesma moeda
As ofensas sofridas
Não é forma de vingança,
E sim uma possível esperança
De pequena sobrevida.
Tenho reduzido-me a tão pouco,
A uma vida medíocre.
Queimo palo santo,
Aspiro rapé,
Bebo cerveja,
Escrevo à luz de vela.
Dia-a-dia de existência vazia.
Nem a psicografia,
Nem as poucas leituras
Fazem-me sentir alegria.
As centenas de horas,
Na frente da TV,
Transformaram-se
Em imensa barriga.
A falta de iniciativa
Leva-me, da manhã até a noite,
A buscar razões em arrumar brigas pelo telefone.
Ligo para repartições Públicas,
Salientando a minha inutilidade,
A minha falta de empatia,
A minha mediocridade.
As mentiras, as lorotas inventadas enfatizam
A necessidade de ser alguém um dia.
(Mameflo)
Hora Certa.
(Em processo, sem revisão.)
Há hora certa
Para os espíritos comunicarem-se.
Eles falam de mim,
Tentando universalizarem-se.
Os aviões passam
Fazendo tremendo barulho:
Devem ser os turistas,
Os foliões de outras plagas,
Que vieram prestigiar
O carnaval paulista.
A letra manuscrita
Poderia ser a única
Coisa certa...
Mas não é!
São garranchos traçados de qualquer
maneira,
Para depois serem indecifráveis.
Sinto presenças perdidas.
Seres desconhecidos sem destino.
Que querem?
Habitar a minha mente?
Ando tão descontente!
Penso em aviões caindo.
Em quantas mortes de gente próxima
Terei de suportar ainda.
Abro outra lata de cerveja
Na ansiedade de senti-la vazia.
(Mameflo)
Dormir e Sonhar.
(Em processo, sem revisão.)
Dormir e sonhar
Tornou-se meu objetivo na vida.
Talvez seja isso espécie de delírio,
De psicose.
Mas tem sido assim
E não faz pouco tempo:
Faz décadas que me dei conta.
Mereço isolar-me
Para não mais passar vergonha.
Sei fazer parte da maioria.
Minha esposa desistiu
De tentar ajudar-me a me emendar.
E isso é pior
Que as reclamações
De nos serviços de casa não ajudar.
Quantos anos assim
Foram atirados no rio!
Fecho os olhos e vejo
Pessoas desconhecidas.
Não quero mais conversar com
ninguém...
Qualquer voz me azucrina...
A culpa é de quem
Por eu ter má postura?
Estou como falecida tia minha,
A escrever e escrever
Sem esperanças de ser lida e
compreendida.
Morreu atropelada.
Faleceu como sempre viveu:
Destroçada.
(Mameflo)

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