"O Táxi Amarelo", Conto de Maurício Menossi Flores.
O Táxi Amarelo.
(Conto em processo, sem revisão.)
Descemos do metrô na 42nd Street. Meu pai segue à
frente, com passos firmes, como se já soubesse o caminho. O ar gelado de Nova
York soprava entre os prédios altos, e as luzes da cidade piscavam ao longe.
Ele parecia animado com o evento, conversava sobre
as pessoas que encontraríamos, sobre os velhos tempos. Eu o ouvia como sempre
fazia, gostando do som de sua voz, da forma como gesticulava.
A plataforma estava cheia. Pessoas apressadas se
empurravam, subindo e descendo as escadas, suas vozes misturando-se ao eco dos
anúncios no sistema de som. Mantive o ritmo, tentando não me perder dele. Foi
então que vi o táxi amarelo parado na rua logo à frente.
Meu pai caminhou à frente dizendo algo sobre o
horário, não poderíamos nos atrasar.... Pensei tê-lo seguido até o veículo
parado, mas, já dentro dele, vi uma outra pessoa sentada no bando de
passageiros, junto ao motorista. Não era meu pai. O motorista pensou tratar-se
de uma disputa pelo mesmo veículo. Desci um tanto constrangido.
Fiquei parado na calçada, desnorteado. Olhai ao
redor, tentei encontrá-lo na multidão. Ele estava ao meu lado um segundo atrás.
Como poderia ter sumido tão rápido?
Dei meia-volta e caminhei de volta para dentro da
estação, chamando por ele. Minha voz se perdeu no barulho do metrô chegando,
nas conversas dispersas, no sotaque arrastado dos novos-iorquinos ao meu redor.
Andei pelos corredores, subi e desci as escadas, olhei para os bancos vazios.
Nada.
Meu coração acelera.
De repente, lembrei-me que meu pai já era falecido.
Maurício Menossi Flores

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