Monólogo Teatral "O Mito da Caverna de Platão", de Maurício Menossi Flores.
Título: "O Mito da Caverna de Platão".
Em Processo, sem revisão.
Personagem Único: O Manipulador de Sombras
Cenário: Um espaço escuro onde os espectadores são aparentemente acorrentados às cadeiras, incapazes de mover a cabeça para trás. À frente deles, um grande painel ou tela onde sombras são projetadas a partir de luz artificial. O ambiente é preenchido por um som contínuo de gotejamento e leves sussurros, criando uma atmosfera claustrofóbica.
Cena 1: As Sombras e a Verdade
(O Manipulador de Sombras surge das sombras, vestindo um manto escuro. Ele se movimenta suavemente, observando os espectadores.)
MANIPULADOR: (Com voz grave e envolvente) Estais acorrentados desde que aqui chegastes. Vossa realidade é esta: sombras em movimento, vozes sem dono, formas fugidias. E o que vedes, acreditais ser a verdade.
(Ele ergue as mãos e começa a manipular figuras recortadas. Animais, pessoas, objetos surgem projetados na parede. Os espectadores veem apenas essas sombras.)
MANIPULADOR: Acreditais conhecer o mundo porque vedes estas imagens. Mas e se houvesse algo além? E se a luz não fosse apenas um reflexo, mas uma origem?
(Os sons de passos distantes ecoam, sugerindo a presença de algo além das sombras. O Manipulador manipula a luz, criando a ilusão de figuras maiores e ameaçadoras, intensificando a imersão dos espectadores.)
MANIPULADOR: Tudo o que sabeis vem destas sombras. Nunca ousastes olhar para trás. Mas se pudésseis... o que veríeis?
(Pausa dramática. O som de correntes tensionando preenche o espaço.)
Cena 2: A Liberação
(O Manipulador se aproxima de um espectador escolhido previamente. Ele toca levemente as "correntes", que na verdade são apenas faixas soltas ou uma leve amarração cenográfica. O espectador é libertado.)
MANIPULADOR: Levanta-te. Vê com teus próprios olhos.
(Leva o espectador para trás do palco, onde há uma fonte luminosa. Ele guia a pessoa até que perceba que as sombras são apenas projeções de figuras manipuladas. Sons de pássaros e vento suave começam a ser ouvidos, contrastando com a opressão anterior.)
MANIPULADOR: Olha! Eis a verdade: sombras não são a realidade, apenas um eco. Sente o calor da luz, percebe o som real além do eco. Vai, volta e conta aos teus irmãos!
(O espectador retorna ao seu assento, mas agora vê tudo de maneira diferente. Ele tenta contar aos outros, que não podem virar-se.)
Cena 3: A Rejeição da Verdade
(Os outros espectadores, ainda "acorrentados", escutam as palavras do liberto, mas não podem ver o que ele viu.)
ESPECTADOR LIBERTO: Acreditem em mim! As sombras são enganosas! Há um mundo além desta caverna! Há cores, formas reais, calor e som puro!
(Os demais, céticos, zombam dele.)
MANIPULADOR: (Com voz sibilante, instigando a dúvida nos outros) Quem é este que ousa dizer que nossa visão é falsa? Que ousa negar o que sempre conhecemos?
(Os espectadores "atiram pedras" – na verdade, gestos ou bolas de espuma macia – no liberto, que finge ser atingido.)
(O liberto cai ao chão, imóvel. O Manipulador o observa e, lentamente, apaga as luzes.)
MANIPULADOR: A verdade, quando contada aos que vivem na escuridão, pode ser recebida com ódio. E o que traz a luz, muitas vezes, é silenciado.
(O silêncio toma conta do espaço. Apenas o som da respiração pesada do Manipulador preenche a cena. Uma luz fraca se acende no canto do palco.)
Cena Final: O Recomeço
(O Manipulador se aproxima do liberto caído, ergue uma pequena chama entre as mãos e a sopra na direção do público.)
MANIPULADOR: Mas a verdade não morre. Apenas espera. Algum de vós se atreverá a abrir os olhos?
(Luzes se apagam por completo. O som de correntes caindo no chão é ouvido.)
(O espetáculo se encerra em um completo breu, deixando os espectadores por alguns segundos na escuridão total antes da reabertura das luzes da plateia.)
FIM.
Maurício Menossi Flores

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