Conto "Insatisfação": De "Ari, O Homem Pássaro", Psicografia de Maurício Menossi Flores.
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INSATISFAÇÃO
(Em processo, sem revisão.)
Ele parecia pronto para algo maior.
Aos quase sessenta e um anos de idade, mesmo podendo não lhe restar muitos na presente existência em carne e osso, tivera a revelação de uma possível verdade: a vida mundana levada nos últimos decênios ensinara algo sobre a sua própria personalidade e como poderia transmitir sapiência sobre convivência consigo mesmo e com os demais.
Na sua mais recente ida à costumeira choperia, ataque de vaidade, girando em torno de gosto e conhecimento musical, fizera-o refletir, no dia seguinte inteiro, forçando tomada de decisão mais séria na vida. Ter racionalizado, depois, que o papo não era com ele e a resposta correta para que tipo de música gostava seria daquela que mexe com o conceito música, trouxe a revelação mencionada.
Essas ríspidas discussões frequentes provocadas por ele em bares já haviam provocado situações bastante constrangedoras, tendo acumulado inimigos e desafetos. Fora sentir insatisfação com os seus avanços intelectuais, por acumular livros e mais livros sem ânimo para estudo sistemático de qualquer tema ou assunto. Acabaria morrendo frustrado com a existência.
Vagos planos tentara traçar vez ou outra, mantendo certa produção tida artística. Mas sabia poder realizar obra sólida e importante, afetando positivamente outras pessoas.
Que seria?
Deixaria os anos passarem até não ter mais tempo para nada?
Pensava em frequentar certo grupo de estudos espíritas próximo ao atual endereço no qual residia.
Isso poderia logo de cara dar um impulso às leituras, percebendo nelas o ponto chave da sua realização. Afinal de contas, a leitura de livros sempre lhe pareceu claramente algo notável nele. Era incomum o seu relacionamento com os livros durante toda a sua vida.
Passou, então, às terças-feiras à tarde, a participar dos estudos daquele grupo.
Por incrível que poderia parecer para ele, ao contrário do esperado, sentiu-se motivado, com a habitual preguiça não sendo capaz de impedi-lo nas participações.
Passando o tempo, era um dos maiores animadores das reuniões e, em menos de um ano, triplicou os envolvidos, acalentados com o seu entusiasmo na divulgação das leituras e estudos.
Aos sessenta e três anos de idade, a sua biblioteca particular, mantida em sua galeria de arte, virou referência e ferramenta indispensável no aprofundamento e esclarecimento de questões surgidas nos debates do grupo original e dos demais criados desde então.
Prestes a desencarnar, com sessenta e cinco anos de idade, doou a coleção preciosa de livros espíritas para o Cento onde conseguira realizar-se, ajudando outros a entenderem-se melhor e melhor viverem.
A única coisa que pediu em troca da vultosa biblioteca foi um funeral modesto.
FIM
Ari, o Homem Pássaro. Psicografia de Maurício Menossi Flores.
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