Conto "Falange dos Mendigos", de Nina Ferraz e Deuz, O Gato. Psicografado Por Maurício Menossi Flores.

 


Falange dos Mendigos

(em processo, sem revisão)

 

“No sexo, a rua ensinou-me a ser contido. Esse é o meu pau, não uso cueca. Papai...”.

Vende objetos catados, descartados. Brinquedos, cadernos, utensílios, tudo. Difícil falar nisso. Rodeiam-me por vício. Pedindo bis, no comunicado através das Artes. Vieram antes, como guedês. Agora, são só espíritos iluminados por velas modestas.

Cachaça. Um pouco de tabaco. Cães acompanham alguns mais carinhosos e cuidadores. Às vezes, são as mães que pedem à Nossa Senhora Aparecida a escolta.

Qual o problema com a Estética? Estamos habituados? Miscigenação? Sincretismo? Pura Ciência do Espírito? Tecnologia em desenvolvimento? Espiritismo prático?

Mendigos limpos e discretos. Estão de boa e realizam o sonho da humildade pequeno burguesa. Modestos. Risonhos e contidos, no peito aberto e nos braços serenos. Sem precisarem mais estenderem as mãos e os lábios suplicantes.

Em prece, aplicam passes eletromagnéticos.

Um deles tem nome grande: Trancoso do Espírito Santo Neto.

Oras, oras... Parente do Anjo Gabriel?

Excelente!

Manter seus nomes, mesmo em texto sem propósito, é Caridade.

Trancoso é fresco, liso, barrigudo, bigodudo, cara inchada, olhos redondos.

Tiro carta do Tarô Mitológico: “O Eremita”.

Inspira-me a ser andarilho, dando conselhos, mostrando zines.

Serei capaz de fazer amigos?

Tenho vergonha do meu comportamento excêntrico.

Penso, em breve, deixar esse lugar.

Cigano, terei de fixar-me um dia. No cemitério, ao menos.

Sou pouco crédulo diante da realidade. Muitos tentaram sensibilizar-me com a crueza da Vida, a qual deveria chamar-se Morte. Morremos desde a saída do ventre. Em embrião, ainda. Perecemos no óvulo, no espermatozoide, na molécula, no átomo divisível ao infinito. O Universo envelhece e morre e nós somos Deus.

Ensinamentos do Mendigo Trancoso, imagino. Tão profundos e melancólicos!

As velas faltaram. As sombras com elas. Ausentes, esconderam-se de si mesmas.

Volto a orar pelas águas muitas serem calmas e minha amada não perecer com o seu carro, depois do trabalho. Tenho uns trocos para uns tragos...

 

(Nina Ferraz e Deuz, O Gato. Psicografia de Maurício Menossi Flores)

 

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