"A Dissociação". Poema-Conto de Maurício Flores, Artista Amador Paulistano.



A Dissociação
(em processo, sem revisão)

Fedia, quando voltei.
Olhou-me, pensando me reconhecer.
Não sei.
Parece que todos continuam inteligentes, menos eu.
Aqui, no fundo, o futuro.
Lá, na frente, gente.
Não sei.
Fede.
Você está de verde e eu de cinza.
Os motivos das camisetas quase são casuais.
Óculos em várias posições.
Sobre a cabeleira branca.
Na mesa.
Em pé.
Virtual, em casa.
No cinema.
Esse sonzinho obtuso de sempre.
Chegou a dama de azul, permanente no espelho da casa dela.
Passou o cara de vermelho
Empurrando a carrocinha.
Chuvisca.
A Garoa de São Paulo nunca foi tão característica.
Pausa.
Dissociação...
Fui zen ontem.
Agora não sou ninguém.
Guarda-chuva para não faltar do que falar.
Homem de bermuda, idem.
Para nada faltar.
Gesto só por mim visto.
Para nada faltar.
Estou por um triz.
Olha o viadinho, lá!
O outro passou por mim, sem cumprimentar.
Agora, vai.
Hora de dissociar.
Foi e não voltou mais.
A cabeça vazia.
Separar-se de tudo.
Enquanto isso penso nada.
A mente inquieta
À procura de mim, sem uma palavra.
Isso faz sentido, também.
A mente vazia procura e depois faz sentido.
Aqui é diferente de lá.
Aqui se procura o que lá se diz saber.
Aqui se duvida do que lá se afirma.
Aquilo que não tem solução, no papel terá.
Só precisa decifrar.
O que está lá não está cá.
Isso mesmo,
Faz até jus.
Aquilo que está no início.
Sou só sorriso...
As ondas vêm e depois voltam.
Não é necessária pressa.
O que não for será o que é para ser vai ser.
Duro é escrever.
O ônibus passa.
O rapaz canta na TV.
É morto.
Ninguém liga.
Provavelmente, nunca pensou na barriga.
Só eu penso nisso:
Escrever a síntese da Série Histórica do Chico.
Profetizo, enquanto o Diabo relembra
O dia em que a sua mãe fez um pacto com Deus.
Quantos garranchos preenchem uma ficha de inscrição
Para viagem a outro planeta?
Não me importo em sentar lá fora.
Aqui dentro não me lamento
De ficar só.
Pois dissocio...
As lâmpadas nas garrafas de vinho
Têm mais motivos
Para falarem aos anjos.
Confissões de muita gente
Que não têm parentes.
Nada se resolve sem a análise sintática da fala.
a caligrafia acalma-se no canto de um bar, sozinha.
Não sou mais nada, além de uma frase depois da vírgula.
Sou uma amiga esquecida com calma.
Suavemente, lembro-me de falar em espanhol.
Mas não sei.
Tudo é tão vazio,
Que me perco em escrever sobre como não sei.
Louco vem o espaço para ficar comigo.
digo que não é possível, porque, ontem, esqueci de lembrar estar com alguém.
Escrevo um livro inteiro sem querer.
Sei não ser.
Olha, a máquina de fatiar frios parece estar no zunzum das falas lá da frente!
Sim,
O objetivo deste texto,
Encontrar,
Encontrei.
Disso-
Ciar-se.
O aqui do além. O vento leva as folhas do caderno
Para o passado.
Gosta de estar no grupo.
Eu, não.
Fico sismando.
O cheiro do perfume
Confirma a minha sina.
Esteja na linha.
Na banda da família.
Foi bem assim.
A vida voltou.
A conexão não prevista.
Perdeu-se na neblina
Meu passado.
Um outdoor azul
Surgiu de forma repentina.

(Ari, o Homem Pássaro. Psicografia de Maurício Flores)

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