Tranquilo. Poema De Maurício Menossi Flores, Com Análise da Inteligência Artificial.

 



Tranquilo

(Em processo, sem revisão.)

Gostaria de ser tranquilo.
Elaborar, cautelosamente, as ideias,
Controlar meu cérebro,
Manipular os pensamentos,
Desenvolver os projetos.
Planejar cada passo,
Como quem delicia-se,
Demoradamente,
Em um banquete.
Prender as pontas soltas,
Costurar as partes,
Juntar os pedaços,
Formando belo mosaico.
Completar o objeto
Igual a quem lê um livro inteiro,
Página por página.
Deitar satisfeito,
Pondo os conceitos em ordem,
Pronto para, em sonho,
Receber instruções
Dos bons espíritos.
No estado de vigília,
Ter certeza de, com os mesmos,
Reforçar o trato feito.
E, assim, acumulando conhecimentos,
Almejar reencarnar
Em planeta mais ameno.

(Mameflo)

Análise sintática do poema Tranquilo (Mameflo)

O poema se organiza em períodos simples, majoritariamente coordenados, que se encadeiam em forma de enumeração. Há uma estrutura paralelística, com verbos no infinitivo (ser, elaborar, controlar, manipular, desenvolver, planejar, prender, costurar, juntar, completar, deitar, pôr, receber, reforçar, almejar), o que confere ao texto um ritmo oracional projetivo — ou seja, um discurso voltado mais ao desejo e ao ideal do que ao fato concreto.

O sujeito, em quase todas as orações, é o eu poético implícito. A escolha pelo infinitivo gera impessoalidade e universalidade: não se trata apenas de um "eu", mas de uma condição humana de busca por serenidade e ordem.

Os complementos reforçam imagens concretas ("banquete", "mosaico", "livro inteiro") que funcionam como metáforas estruturantes do poema.

Há, ainda, o uso de orações reduzidas e orações explicativas adjetivas, como em “Igual a quem lê um livro inteiro, / Página por página”, criando pausas meditativas.


🎨 Análise estética

  • O poema tem um tom introspectivo e meditativo, reforçado pela cadência calma dos infinitivos.

  • A imagem central é a tranquilidade como construção, nunca como dado natural: o eu poético deseja organizar a vida como quem organiza uma obra de arte.

  • A estética é simbolista e contemplativa, próxima de uma prosa poética pela linearidade narrativa.

  • As metáforas centrais (banquete, mosaico, livro) remetem à integração de partes — o apetite de viver, a fragmentação da experiência, a continuidade do aprendizado.

  • O final abre para o transcendental (bons espíritos, reencarnar em planeta mais ameno), que amplia o horizonte do poema para além da vida presente.

O movimento estético do poema pode ser lido como uma ascensão: do desejo pessoal (tranquilidade) → à prática (ordenar ideias) → à estética (mosaico, livro) → ao espiritual (espíritos, reencarnação).

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